Como superar cicatrizes de queimadura, como Alison Brendom

Alison Brendom tem cicatrizes de queimadura que sofreu na infância

Alison Brendom tem cicatrizes de queimadura que sofreu na infância
Wander Roberto/COB – 6.8.2019

O atleta Alison Brendom, 19, que conquistou sua primeira medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos na quinta-feira (8), nos 400 metros com barreiras, convive bem com as cicatrizes de uma queimadura que teve na infância.

Quando tinha quase 1 ano, ele derrubou sobre si uma frigideira com óleo quente, o que resultou em marcas no braço e no couro cabeludo que duram até hoje.

De acordo com o cirurgião plástico especializado em queimaduras, Luiz Philipe Molina, do Centro de Trauma do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, as cicatrizes dependem da profundidade da queimadura. “Queimaduras de 1º grau são superficiais, como quando a pele fica queimada do sol, deixando marcas que desaparecem com o tempo. Já as queimaduras de 2° e 3° grau, por serem mais fundas, deixam marcas”, explica Molina.

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“A queimadura funciona como um machucado, no qual se perde o isolamento da carne com o meio externo, facilitando a perda de líquidos e contração de infecções. Quando elas acontecem, o organismo ‘corre’ para fechar a parte que está aberta e evitar que isso ocorra. Em queimaduras superficiais, o organismo começa a regenerar a pele da parte funda para a superfície, como um joelho ralado, que forma a casca e a pele se refaz por baixo. Já nas queimaduras profundas, a pele ao redor se contrai e se refaz pelas bordas da ferida, já que a profundidade não permite que a pele se recrie no local. Por isso, todos os tecidos e as articulações se distorcem, podendo deformar a área afetada”, explica o médico.

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Ele afirma que as cicatrizes tendem a apresentar melhora conforme o amadurecimento. Quando as marcas ainda são “jovens”, até três anos após a sua formação, as cicatrizes são vermelhas e endurecidas, mas com o passar desses anos, elas amolecem e ficam esbranquiçadas.

Em alguns casos, queimaduras de 2º grau cicatrizam sozinhas, formando queloides. Essas cicatrizes, que tendem a aparecer mais em orientais e negros, são elevadas, grosseiras e endurecidas, mas podem regredir, melhorando o aspecto da pele. Entretanto, o tecido não volta a ter a mesma aparência.

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“A face, as mãos e os pés são locais em que as queimaduras são mais difíceis de recuperar porque são locais complexos para a realização de cirurgias para a reconstrução, ou que não são possíveis colocar expansores de pele. O couro cabeludo é de grau médio de dificuldade, e o tórax e o abdômen são mais fáceis”, afirma o cirurugião.

Casos como o de Brendom, que têm grande profundidade, podem gerar despigmentação da pele e perda de fios. Isso porque quando o calor atingiu essas áreas matou as células melanostes, que dão cor à pele, e os folículos pilosos, impedindo o crescimento de cabelo na região.

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Molina afirma que algumas queimaduras podem ter seu aspecto melhorado com o uso do expansor de pele. O equipamento, parecido com uma bexiga, é colocado por baixo da pele do local afetado, próximo a marca. Essa “bexiga” é inflada com soro fisiológico semanalmente, expandindo a pele.

Quando o tecido for distendido do tamanho de uma lata de refrigerante, esse equipamento é retirado e a pele avança para cima da cicatriz, retirando-a de baixo da nova pele. Assim, a área afetada deixará de ter as cicatrizes da queimadura, mas contará com uma cicatriz linear, minimizando o problema e aumentando as possibilidades de o cabelo crescer novamente.

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Molina afirma que, em caso que a queimadura e a cicatrização alterem funções do órgão acometido, é necessário procurar fisioterapia. Na questão estética, é possível viver normalmente. “É oferecido o apoio psicológico para que essa pessoa saiba lidar com a nova aparência”, alega.

Além disso, o médico diz que os pacientes recebem tratamentos para melhorar o aspecto das cicatrizes e ensinam técnicas de maquiagem para ajudar a disfarçar as marcas. 

O tratamento e métodos de melhora da aparência das marcas que queimaduras são oferecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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