Como preparar crianças e adolescentes para a volta às aulas presenciais


Para os pequenos, momento pode ser semelhante a ir para a escola pela primeira vez. Converse, observe e não cobre demais. Como preparar os filhos para a volta às aulas presenciais
CESAR CONVENTI/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Depois de dois anos e meio de pandemia, o governo de São Paulo anunciou na quarta-feira (13) o retorno obrigatório às aulas presenciais para todos os alunos da rede estadual. Outros estados, como Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, também adotaram a medida neste mês.
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Especialistas alertam que, após tanto tempo em casa, é preciso preparar a criança para o convívio social e dar a devida atenção para o período de readaptação.
Para o psicólogo infantil e doutorando em educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Bruno Mader, este momento é similar com a primeira vez que a criança vai para a escola.
“Quando a criança é levada para a escolinha nos primeiros anos do ensino infantil, os pais vão junto. E não é que que todos os pais devam ir para a escola, é que eles saibam que este é um momento de adaptação assim como levar o filho para a escola pela primeira vez.”
A coordenadora de Inovação em Educação do Instituto Unibanco, Jane Reolo, concorda e acredita que é um momento de readaptação também para os pais e professores. “Todos vivemos momentos de isolamento e quem ainda não foi impactado pela pandemia, será. Mas é importante dar atenção para como a criança e o adolescente vai reagir neste momento”.
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Converse
Para começar, os pais e responsáveis precisam pensar no que esse momento representa para as crianças e adolescentes. Entender quais desafios eles vão enfrentar e oferecer escuta sobre a volta às aulas presenciais é importante.
“É preciso refletir com a criança sobre a importância estudo e da educação, falar da importância dos dos bons modos e do respeito na escola e principalmente fazer perguntas diretas para crianças menores”, sugere Mader.
Por isso, a conversa é o mais importante. E é importante ouvir o que a criança diz, e também o que ela não diz, lembra o psicólogo.
“Isso vai mostrar que você se importa e, se for um momento de dificuldade para ela, demonstra também que ela não está passando por isso sozinha”, reforça o psicólogo.
Pergunte, por exemplo:
O que você pensa sobre voltar à escola?
Como que você acha que vai ser?
Quais amigos ou quem você quer reencontrar?
Quem você não gostaria de reencontrar?
Do que você tem medo?
Você acha que vai conseguir prestar atenção em uma aula presencial?
Segundo o psicólogo, as respostas a essas perguntas podem sinalizar o que a criança espera deste momento e como ela pode reagir em situações que podem acontecer na escola.
Mader lembra que as conversas devem continuar a ocorrer após algumas semanas do retorno às aulas.
“Pergunte ao seu filho como estão as aulas, se já ele já reencontrou os amigos, se sente falta do ensino híbrido ou remoto. E se a criança falar que não quer ir para a escola ou que não está se sentindo bem, escute”, diz.
Observe
Para adolescentes a partir dos 12 anos, conversar e ouvir não deixa de ser fundamental, mas é preciso dar ainda mais atenção ao que eles não falam, mas expressam de outra forma, como
Ansiedade
Falta de atenção
Falta de interesse ou de vontade de ir à escola
Ataques de pânico
Timidez demasiada
Agressividade
Agitação demasiada
Irritação
Choro
Estes são sinais de que a readaptação pode não ser tão fácil para alguns alunos, e, caso sejam situações recorrentes, é importante procurar um especialista.
Identifique se o que causa essa mudança de comportamento é fruto de uma dificuldade de comportamento, dificuldade de compreensão ou de relacionamento.
E compare o comportamento atual da criança ou adolescente com o anterior, entenda como ela é em outras situações e se o comportamento dela na escola é diferente de como se comportava antes da pandemia.
Não cobre demais
“A escola é um ambiente de cobranças e isso pode causar muito estresse nas crianças que vão estar se readaptando. Não dá para trazê-las de volta e esperar que elas se sentem em seus lugares e façam as atividades como se estivessem na sala de aula durante todo este tempo”, aconselha Reolo, do Instituto Unibanco.
Segundo ela, cobrar notas, atividades ou equiparação de aprendizado entre os estudantes em um primeiro momento pode acarretar reações inesperadas. “Cada criança teve um momento, uma experiência única durante a pandemia. É natural que após este momento, elas tenham comportamentos e reações diferentes, mas é preciso que tenham tempo de se adaptar”.