Como o Quebrada Queer quer levar temas LGBT ao rap; conheça o coletivo e ouça músicas


Grupo tem artistas gays e da periferia de SP. ‘É muito bom usar isso como ferramenta de empoderamento e autoaceitação’, diz integrante ao G1. Ele reclama da escassez de shows. “Nós tá aqui por cada bicha com a vida interrompida / por causa de homofobia, ódio e intolerância / Resistimos no dia a dia / Pra poder chegar o dia que prevaleça respeito, igualdade e esperança”, canta Murillo Zyess na primeira música lançada pelo Quebrada Queer.
Esse também é o objetivo do coletivo de rap de São Paulo formado por Zyess, Lucas Boombeat, Guigo, Harlley e Tchelo Gomez e a beatmaker Apuke No Beat.
“É muito bom usar isso como ferramenta de empoderamento e autoaceitação. Levar informação também”.
O primeiro encontro dos rappers era para a gravação de só uma música. Mas depois que o clipe de “Quebrada Queer” saiu no Rap Box, canal com 2,4 milhões de inscritos no YouTube, apareceram convites para shows. Foi aí que resolveram seguir com o projeto, em junho de 2018.
“A gente nem tinha muita noção de como iria levar em diante, não era nem um grupo ainda”, explica Zyess ao G1 (ouça entrevista e trechos de músicas no podcast acima).
O MC de 24 anos nasceu no bairro Jardim Ângela, zona sul de São Paulo. Ele se identificava com as temáticas sociais, mas não via nenhuma representatividade do rap:
“Entendia muitos os outros discursos como pessoa periférica, marginalizada, mas a questão LGBT mesmo de fato era zero, né? Não tinha nenhuma referência.”
Capa do primeiro EP do Quebrada Queer, ‘Sobre Existir e Resistir’
Divulgação/Cristiano Rolemberg
A primeira vez que sentiu, como pessoa gay, que poderia estar no palco foi quando viu o rapper Rico Dalasam. Ele diz que a “chavinha virou” naquele momento, mas também cita que se sentia representado por Karol Conka.
‘Rap abraça’, mas há controvérsias
Para Zyess, o rap “sempre abraça” as pessoas. Mas na prática não é bem assim com o Quebrada. O grupo já reclamou algumas vezes nas redes sociais que não é convidado para shows e festivais de rap:
“A gente ainda não é chamado, é ignorado total, vetado totalmente. Isso continua acontecendo mesmo depois de quase dois anos de projeto.”
A maior parte dos eventos que tocam são festas LGBTs ou ações promocionais com o tema da diversidade, como no Rock in Rio 2019. “É muito nichado, fechado, difícil de furar essa bolha.”
O coletivo de rap Quebrada Queer
Divulgação/Facebook do artista
Além de querer mais espaço em eventos, o grupo ainda tem que lidar com preconceito. “A gente vê os haters na internet, mas não tem embasamento nenhum. Só ódio, sabe?”, diz Zyess.
Ele também fala que o parceiro de grupo, Guigo, foi ameaçado de morte por cantar a frase “Deus é travesti”.
Uma das saídas é não ficar vendo tudo que falam. “Não me afeta tanto mais. No começo era mais difícil, a gente ficava chateado, com medo, mas acabamos criando uma blindagem e isso só me motiva, me inspira a ter mais força para continuar.”
Um dos pontos fortes do Quebrada Queer é cantar as letras mais pessoais possíveis. “A gente usa as nossas narrativas, experiências, vivências e a partir disso a gente consegue fazer com que as pessoas se identifiquem.”
“Tem a questão de informar, mas também tem o prazer de entreter, porque é música e tem todas essas possibilidades inclusas. A gente já fez e vai continuar fazendo música para informar, entreter, divertir, celebrar.”