Ciro Pessoa deixa obra feita com a determinação com que saiu dos Titãs em 1983


Morto em decorrência do covid-19, artista foi coautor de sucessos como ‘Sonífera ilha’ e ‘Homem primata’, além de ter sido mentor de bandas como Cabine C. ♪ OBITUÁRIO – Cantor, compositor e guitarrista paulistano, Ciro Pessoa (12 de junho de 1957 – 5 de maio de 2020) escreveu capítulo decisivo na própria história de vida ao decidir sair do grupo Titãs em 1983.
Consta que Ciro defendeu som mais roqueiro e pesado para a banda, da qual tinha sido um dos fundadores, e resolveu sair por detectar nos demais integrantes dos Titãs a tendência de fazer som mais heterogêneo com a leveza quase pop da New Wave.
Ciro Pessoa saiu dos Titãs antes de a banda chegar ao estrelato em 1984. Contudo, o artista jamais ficaria dissociado inteiramente do grupo paulistano pelo simples fato de ser um dos compositores – em parceria com Branco Mello, Marcelo Fromer (1961 – 2001), Tony Belloto e Carlos Barmarck – de Sonífera ilha (1984), primeiro sucesso dos Titãs.
Música desde então presente na memória afetiva dos que seguiram os Titãs já na década de 1980, Sonífera ilha permaneceria sendo o maior sucesso do cancioneiro autoral de Ciro, parceiro de Branco Mello em músicas infantis e de Edgard Scandurra, além de ser coautor de Homem primata (Ciro Pessoa, Marcelo Fromer, Nando Reis e Sergio Britto, 1986), outro hit do repertório dos Titãs.
Contudo, Ciro Pessoa morreu – na madrugada de terça-feira, 5 de maio, a pouco mais de um mês de completar 63 anos, em decorrência de complicações decorrentes de infecção pelo covid-19 adquirida quando tratava de câncer – e deixou obra que foi além da conexão do artista com os Titãs. Basta lembrar que Ciro foi o mentor da atualmente cultuada Cabine C, banda de pós-punk associada (à revelia do artista) ao universo do rock gótico.
Fundada por Ciro em 1984, um ano após ter saído dos Titãs, a Cabine C sofreu diversas mutações até sair de cena em 1987. Na formação mais visível, o grupo gravou e lançou em 1986 o primeiro e único álbum da discografia, Fósforos de Oxford, editado pela RPM Discos, a megalomaníaca gravadora aberta pela banda RPM no auge do poder financeiro.
Dissolvida a Cabine C, o ex-Titãs fundou nova banda, Ciro Pessoa e seu Pessoal, também conhecida como CPSP e voltada para som mais pop do que o rock sombrio da banda antecessora de Ciro.
Outros grupos – como Ciro Pessoa & Ventilador e como Flying Chair (a última banda do músico, formada em 2016) – se sucederam na trajetória pavimentada por Ciro Pessoa por vias alternativas do mercado, com a mesma determinação que o artista demonstrara em 1983 quando decidiu sair dos Titãs, deixando Sonífera ilha para trás.