Cinema francês ainda é viciado em mostrar fumantes nos filmes, revela pesquisa


Na véspera do Dia Mundial sem Tabaco, a Liga Francesa contra o Câncer publicou análise feita a partir de mais de 150 filmes. Organização diz que, com referências ao tabaco aparecendo em quase todas as produções do país, jovens franceses estão particularmente em risco. Alain Delon no filme ‘La piscine’ (1969)
Divulgação
Na véspera do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado no dia 31 de maio, a Liga Francesa contra o Câncer publicou uma pesquisa mostrando que o cinema francês ainda é viciado em personagens fumantes. A organização diz que, com referências ao cigarro aparecendo em quase todas as produções nacionais, os jovens franceses estão particularmente em risco com esta exposição.
“O tabaco é quase onipresente nos filmes franceses”, disse a Liga Francesa contra o Câncer. Com 2,6 minutos de tempo de tela em média por filme, o cigarro obtém uma exposição equivalente a seis anúncios publicitários, mostrou a pesquisa da Ipsos para a organização, feita com base em 150 longas.
“Entre 2015 e 2019, 90,7% dos filmes incluem pelo menos um evento, um objeto ou uma linha relacionada ao tabaco”, afirmou a entidade. Isso incluía um personagem fumando, a presença de cinzeiros e cigarros, ou um personagem falando sobre fumar.
Mais de uma década após a entrada em vigor de uma ampla proibição do fumo em ambientes fechados na França, os filmes mostram as pessoas fumando em espaços públicos mais do que nunca, disse a liga.
Mais de 20% das cenas de fumo ocorrem em escritórios ou outros locais de trabalho, e quase o mesmo número em cafés, restaurantes ou casas noturnas, apontou o levantamento.
Visando os jovens
Uma pesquisa entre jovens adultos franceses acompanhados pelo estudo descobriu que quase 60% deles consideravam essas cenas um incentivo ao fumo, e quase o mesmo percentual achava que a indústria do tabaco estava envolvida na imersão de produtos nas cenas dos filmes.
“A Liga denuncia energicamente a exaltação do fumo nos filmes franceses nos últimos 15 anos”, disse o presidente da organização, Axel Kahn, em um comunicado, também culpando “as campanhas dirigidas aos jovens, que são tão agressivas quanto insidiosas”.
O estudo, programado antes do Dia Mundial sem Tabaco, foi divulgado no momento em que a autoridade de saúde francesa relata que, no ano passado, contabilizou o fim de uma tendência de queda de anos no consumo de cigarro na França.
Culpando um “contexto de crise social” em um ano marcado pela Covid, a agência disse que pessoas de baixa renda fumaram mais do que em 2019, e menos fumantes tentaram parar de fumar.
VÍDEOS: os dez mais vistos de maio