Chiquinha Gonzaga, a imortal pioneira na abertura de alas para as mulheres na música do Brasil


♪ MEMÓRIA – Do pioneirismo de Joyce Moreno, primeira compositora a se posicionar como mulher na música brasileira com Me disseram (canção que causou polêmica em festival de 1967 por ter “meu homem” no verso inicial), ao rap desbocado da controvertida Karol Conká, foram muitas as mulheres que abriram alas na música brasileira.
Mas a primeira pioneira é e será sempre ela, a carioca Francisca Edwiges Neves Gonzaga (17 de outubro de 1947 – 28 de fevereiro de 1935), a popular Chiquinha Gonzaga, nome que deve ser sempre louvado, sobretudo em 8 de março, Dia Internacional da Mulher.
Compositora. Pianista. Maestrina. Regente. Chiquinha abriu alas e pediu passagem no século XIX com múltiplos talentos musicais.
Foi a primeira mulher a reger uma orquestra em ambiente musical historicamente masculino. Foi a primeira compositora a emplacar um sucesso popular, a marcha Ô abre alas (1899), cantada nas ruas do Brasil antes de alcançar gerações de foliões no século XX. Foi a primeira pianista de choro, gênero que ajudou a difundir, mesmo quando o choro podia ser somente uma forma mais sentimental de tocar polcas e valsas europeias.
Compositora desde os 11 anos, idade em que deu forma à natalina Canção dos pastores, Chiquinha Gonzaga deixou obra ainda pouco conhecida pelo público brasileiro, com exceções da marcha Ô abre alas e da modinha Lua branca, composta pela maestrina em 1911 para a burleta Forrobodó (1912), encenada no ano seguinte (a modinha passou para a posteridade com a letra lírica e dolente de autor desconhecido).
A primeira música oficial da artista, a polca Atraente, somente foi editada em 1877, quando a compositora tinha 30 anos e já estava separada do marido controlador, em outra ação que reiterou a habilidade de Chiquinha Gonzaga para abrir alas na sociedade machista.
Contabilizando cerca de duas mil músicas de gêneros musicais como valsas, polcas, tangos, choros, lundus, maxixes e até fados, a obra de Chiquinha Gonzaga é exemplo da obstinação dessa artista pioneira que driblou preconceitos na música e na vida até ser consagrada pelo povo e pelos historiadores.