China anuncia US$ 233 milhões para novo fundo para proteger biodiversidade em países em desenvolvimento

Anúncio foi durante a cúpula de biodiversidade COP15, na China, onde diplomatas, cientistas e conservacionistas devem apresentar as bases de um acordo global para interromper e reverter a destruição da natureza, a ser finalizado em maio do próximo ano. A China anunciou nesta terça-feira (12) a criação de fundo de US$ 233 milhões para proteger a biodiversidade nos países em desenvolvimento, durante negociações sobre um novo pacto global pós-2020 para lidar com a perda de espécies.
“A China tomará a iniciativa de estabelecer o Fundo da Biodiversidade de Kunming com uma contribuição de 1,5 bilhão de yuans (US$ 233 milhões) para apoiar a conservação da biodiversidade nos países em desenvolvimento”, anunciou o presidente chinês, Xi Jinping, durante a COP15 realizada em Kunming, no sudoeste da China.
Diplomatas, cientistas e conservacionistas estão se reunindo para apresentar as bases de um acordo global para interromper e reverter a destruição da natureza, a ser finalizado em maio do próximo ano.
“A China convida (…) todas as partes a contribuírem para o fundo”, acrescentou.
O presidente chinês falou em uma “cúpula de alto nível” organizada de forma virtual, com discursos pré-gravados dos presidentes russo Vladimir Putin, francês Emmanuel Macron, costarriquenho Carlos Alvarado e turco Recep Tayyip Erdogan, cujo país sediará a COP16 da biodiversidade.
Devido à pandemia de Covid-19, a COP15 foi dividida em duas partes, uma neste mês e uma segunda que reunirá fisicamente as delegações dos 196 membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) em abril e maio de 2022, também na China, para selar as negociações. Uma sessão intermediária ocorrerá em Genebra, em janeiro.
Essas discussões dizem respeito ao estabelecimento de um novo marco para a proteção da natureza, prejudicada pelas atividades humanas, até 2050, com uma etapa em 2030.
“Estamos perdendo nossa guerra suicida contra a natureza”, alertou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.
Ele advertiu que “o colapso dos ecossistemas pode custar quase três trilhões de dólares por ano até 2030”, impactando principalmente os países pobres.
“A COP15 é a nossa chance de um cessar-fogo, com a COP26 sobre o clima”, que será realizada em novembro em Glasgow, acrescentou.
A questão do financiamento é um dos principais pontos de conflito, com os países em desenvolvimento pedindo aos países desenvolvidos que paguem por sua transição.
O texto em negociação na COP15 prevê reorientar e eliminar subsídios ambientalmente prejudiciais “de pelo menos US$ 500 bilhões por ano”, e “aumentar os recursos financeiros, de todas as fontes, para pelo menos US$ 200 bilhões por ano (…) aumentando os fluxos financeiros internacionais para os países em desenvolvimento em pelo menos US$ 10 bilhões por ano”.
Para alguns países, o Fundo Global para o Meio Ambiente (EGF) é a ferramenta adequada para financiar ações em favor da biodiversidade.
“Todas as fontes, especialmente aquelas provenientes de fundos existentes, como o Fundo Global para o Meio Ambiente, mas também fundos climáticos, devem, portanto, ser mobilizadas para proteger, administrar de forma sustentável e restaurar a biodiversidade”, defendeu o presidente francês Emmanuel Macron.
A França se comprometeu a “dedicar 30% de seu financiamento climático internacional à biodiversidade”, lembrou o chefe de Estado, conclamando outros países a fazerem o mesmo.
O anúncio feito pela China “é um primeiro passo bem-vindo”, comentou Georgina Chandler, da ONG Royal Society for Protection of Bird, mas a soma de 233 milhões de dólares está “longe de ser suficiente”.
Em setembro, organizações filantrópicas, incluindo as de Jeff Bezos e Mike Bloomberg, prometeram US$ 5 bilhões para proteger a natureza.