Chefe da Peugeot tem fórmula para reestruturar Fiat Chrysler


Empresas anunciaram fusão nesta quarta-feira (18), formando a 4º maior montadora do mundo. Carlos Tavares obteve sucesso em a reestruturar a Opel e a Peugeot Citroën. Montadoras Fiat Chrysler e PSA Peugeot aprovam fusão
Com um histórico de revisão do portfólio de veículos, motores e plataformas da Peugeot e oferta de generosos planos de demissão, Carlos Tavares tem um manual já pronto para a combinação da montadora de veículos francesa mais lucrativa com a Fiat Chrysler (FCA).
A FCA, que está se fundindo com a controladora da Peugeot, PSA, em um negócio de US$ 50 bilhões, até agora não tem conseguido atingir lucratividade sustentada na área de veículos compactos na Europa. Tavares, no entanto, encontrou uma fórmula bem-sucedida para reestruturar a Opel e a Peugeot, altamente expostas ao segmento.
Antes de Tavares assumir o comando da Peugeot em 2014 a montadora era deficitária, necessitando de injeções de capital do governo francês, enquanto a Opel, comprada da General Motors em 2017, acumulava prejuízos de 20 bilhões de euros na década passada.
Carlos Tavares, da PSA, e Michael Manley, da FCA, assinam acordo de fusão
FCA/Divulgação
Mas no primeiro semestre de 2019, depois que ele e sua equipe trabalharam em redução de complexidades, a Opel obteve lucro de 700 milhões de euros.
“O elemento principal neste acordo é o Carlos Tavares. Ele tem discutido sobre os ativos e oportunidades da FCA pelos últimos quatro anos”, disse o analista Max Warburton, da Bernstein.
“Há tempos ele está de olho no potencial de lucro da Jeep e da RAM e avalia há bastante tempo o potencial da marcas europeias da FCA e seus negócios”, acrescentou Warburton.
O sucesso de Tavares veio em parte com a simplificação da linha de modelos, eliminando veículos como Peugeot 208 GTi, 308 GT, bem como Opel Adam, Cascada e Karl, e levando todos os novos veículos da companhia para as plataformas CMP e EMP-2 da PSA. Isso contrasta com a estratégia adotada pela General Motors, que montava veículos e vans comerciais da Opel e Vauxhall com base em nove plataformas diferentes.
Fiat Chrysler e Peugeot Citröen
Rodrigo Sanches/G1
Plataformas compartilhadas
Uma área em que Tavares será capaz de usar a vantagem combinada da companhia é a arquitetura de veículos mais moderna da PSA que poderá ser usada para dar à FCA uma vantagem antes da entrada em vigor de regras mais restritivas de emissão de poluentes na Europa, em 2021.
Até o próximo ano, as emissões de dióxido de carbono devem ser reduzidas para 95 gramas por quilômetro percorrido em 95% dos carros ante nível atual de 120,5 gramas em média na Europa.
A PA Consulting, que extrapolou penalidades futuras de emissões por meio do uso de padrões históricos, prevê que a FCA poderá enfrentar multa de 430 milhões de euros como resultado das emissões de seus modelos atuais.
Um corte adicional de 15% nas emissões de CO2 será exigido até 2025 e será ampliado para 37,5% até 2030. As multas são de 95 euros por carro, por grama excedente, e podem chegar rapidamente a centenas de milhões de euros.
Quando a PSA comprou a Opel em 2017, Tavares iniciou cortes de cerca de 3 mil empregos em linhas de montagem na França por ano por meio de programas de demissão voluntária que reduziram a folha de pagamento da companhia de 15% para 11% da receita.
Para cortar pessoal sem demissões forçadas, a PSA ofereceu aos funcionários da Opel “bônus de velocidade”, que previam pacotes generosos de pagamentos para quem decidisse deixar a empresa rapidamente.
Tavares também publicamente motivou competição entre fábricas da Peugeot e da Opel para reduzir custos e melhorar a qualidade, conseguindo o cumprimento de metas pelos funcionários.
Peugeot e Fiat Chrysler anunciam fusão
G1 Carros