Ceiça Moreno se ilumina em ‘Meu luar’, EP lançado no embalo do sucesso no programa ‘The Voice +’


Aso 74 anos, a artista pernambucana exalta o orgulho nordestino em disco com quatro músicas autorais, regravação do repertório de Dalva de Oliveira e poema de Cacaso. ♪ Quando começou a estudar sanfona, aos nove anos, Ceiça Moreno costumava sentar em pedra à frente da casa em que vivia em Moreno (PE), cidade do interior pernambucano, para se exercitar no toque do instrumento sob o luar desse município onde nasceu em 7 de dezembro de 1946 com o nome de Maria da Conceição Ferreira Silva.
A reminiscência dessa infância musical reverbera com doçura e romantismo em Meu luar, toada que dá nome ao EP que a cantora, compositora e sanfoneira pernambucana lança na próxima sexta-feira, 8 de outubro, com capa que expõe arte criada pela cantora e compositora Mariana Volker.
“É dividindo / Que se aprende / O que é mais bonito / No verbo amar”, receita Ceiça Moreno em versos da toada composta por essa artista que completa 75 anos daqui a dois meses.
Capa do EP ‘Meu luar’, de Ceiça Moreno
Robson Monteiro
Gravado com produção musical do baterista Fábio Barreto e com arranjos do pianista João Carlos Coutinho, o EP Meu luar estende discografia que inclui os álbuns Ceiça Moreno (2002) e O sol é para todos (2017), mas tem o peso de disco de estreia em carreira que já contabiliza mais de 60 anos.
É que o EP Meu luar é o primeiro disco gravado e lançado por Ceiça após a visibilidade nacional obtida como participante da primeira temporada do programa The Voice + (TV Globo), exibida neste primeiro semestre de 2021.
No programa, munida da inseparável sanfona, Ceiça deu voz a músicas como o baião Qui nem jiló (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1949) e a canção Gostoso demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1986), evidenciando a origem nordestina ressaltada com orgulho no EP Meu luar, idealizado por Hildo de Assis.
O EP Meu luar foi antecedido pelo single que apresentou em 24 de setembro a gravação de Lavadeira, coco de roda que, assim como a canção-título Meu luar, foi composto por Ciça Moreno a partir das lembranças da infância vivida na cidade de Moreno (PE), povoada pela lavadeiras dos rios.
Em Ciranda do asfalto, outro tema autoral, Ceiça evoca a figura já mítica de Lia de Itamaracá, cirandeira popularizada nacionalmente a partir das praias de Pernambuco.
Já Acorda, povo é arrasta-pé em que, na pisada do baião, a cantora conclama os ouvintes a acender fogueiras em noite de São João.
Ceiça Moreno canta e toca sanfona no disco ‘Meu luar’
Robson Monteiro
Com os toques de músicos como o baixista Rômulo Gomes e o violonista Tuca Alves, o EP Meu luar expõe a espiritualidade de Ceiça Moreno nas duas regravações que completam o repertório do disco.
Louvar é poema de Cacaso (1944 – 1987) musicado por José Miguel Wisnik nos anos 1980, gravado por Wisnik com a cantora Ná Ozzetti no álbum Ná e Zé (2015) e revivido por Ceiça Moreno em terno dueto com Rodrigo Faria, cantor paulista residente na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Essa ternura é bisada na abordagem de Ave Maria (Jayme Redondo e Vicente Paiva, 1950), música apresentada na voz de Dalva de Oliveira (1917 – 1972), improvisada por Ceiça no programa The Voice + – a pedido do cantor Daniel, um dos técnicos do reality – e registrada oficialmente pela cantora no EP Meu luar, disco que ilumina a tenacidade nordestina de Maria da Conceição Ferreira Silva, já conhecida como Ceiça Moreno por todo o Brasil.