Lianne La Havas se inspira em Milton Nascimento e melancolia para refletir sobre relação que prometia, mas teve fim amargo


Terceiro álbum da cantora inglesa de pai grego e mãe jamaicana traz ecos do mineiro Clube da Esquina e versão de ‘Weird fishes’ do Radiohead. Capa do disco da cantora Lianne La Havas
Divulgação
Lianne La Havas batizou seu novo álbum apenas de “Lianne La Havas”. A capa mostra, sem nada escrito, uma foto em preto-e-branco da cantora com os olhos semicerrados, quase cobertos pelo cabelo. Um sorriso de contentamento e relaxamento. A imagem sugere leveza e um certo otimismo, possivelmente uma continuidade do caminho aberto pelos dois primeiros trabalhos. Mas esse terceiro álbum deixa transparecer, aos poucos, duas novidades na trajetória musical dela: um espaço maior para a melancolia e mais ambição artística.
La Havas construiu um disco que quebra expectativas. À primeira vista, a cantora parece que só refinou seu neo-soul que ora pende para o folk, ora para o pop assumido. Na ouvidas seguintes aparecem os detalhes; os arranjos de tom mais “down” ficam ressaltados. Quando se presta atenção nas letras, entende-se que La Havas retrata ao longo do álbum um relacionamento que deu liga no começo, mas não acabou exatamente bem.
A música de abertura, com sample de um clássico soul de Isaac Hayes, se chama apropriadamente “Bittersweet” (agridoce, em português). Dá o tom da história. Algo como: estava dando certo até que parou de dar. Bons momentos, mas a gente nem se fala hoje. Lembro com doçura de certos dias, mas foi meio amargo o final.
A melancolia que serve o disco aparece em variadas formas: há ecos daquele clima de desesperança dos ingleses Thom Yorke e King Krule e a tristeza serena da bossa nova e do Clube da Esquina. La Havas se volta para dentro, para uma questão pessoal, não fala da agitação coletiva dos últimos meses no mundo, mas a sensação de prostração em algumas faixas casa bem com o clima atual do Reino Unido – e do Brasil.
“Weird fishes” consegue transmitir o clima depressivo da versão original e oferece uma característica sublime que não se imaginava combinada a uma faixa do Radiohead – é mais angelical do que o fantasmagórico que Thom Yorke imprime na sua interpretação. A cantora tem uma voz poderosa, bonita e de pegada soul, mas nesse disco as notas saem mais contidas, mas a serviço da atmosefra musical.
“Courage” é o jeito próprio de La Havas interpretar Milton Nascimento e o Clube da Esquina e funciona brilhantemente. “Sour flower” acrescenta bossa nova sem cair nos estereótipos que gringo geralmente cai quando se aventura em homenagem do tipo – aquele foco na leveza e na alegria que não explica completamente qual é a da bossa nova.
La Havas é um trunfo do multiculturalismo, mas enfrentou problemas quando entrou na arena do debate racial. Filha de pai grego e mãe jamaicana (ela fala da família nessa entrevista ao G1 em 2016), criada num ambiente de convivência com filhos de imigrantes de origens diversas em Londres, ela chegou a sofrer um minicancelamento na internet porque não concordou com uma hashtag que criticava a ausência de negros no Brit Awards, o principal prêmio da indústria musical britânica.
Assumiu mais tarde em entrevistas que faltava conhecimento sobre discussões do racismo estrutural na sociedade, passou um tempo nos Estados Unidos com o ex-namorado que inspira agridocemente o novo disco e compreendeu melhor alguns pontos do debate, enriquecendo mais o repertório.
A espontaneidade da artista, que ruma para se tornar uma das principais vozes negras britânicas de sua geração, pode causar alguma confusão numa época em que um passo em falso custa muito, mas parece levar sua carreira para caminhos menos óbvios e muito mais interessantes. “Lianne La Havas” já é um dos grandes discos de 2020.

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Fapemig aprova pesquisa da UFJF para desenvolvimento de testes de Covid-19 mais rápidos e baratos


Exames serão feitos utilizando técnica molecular de amplificação isotérmica, chamada Lamp, que possibilita o resultado do exame em tempo menor em relação ao RT-PCR, considerado o padrão para detecção do novo coronavírus. Fapemig aprova projeto para desenvolver testes da Covid-19 com a técnica Lamp
Odair Leal/Secom
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) aprovou uma proposta enviada pelo grupo de pesquisa do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para desenvolvimento de testes da Covid-19 através da técnica Lamp, que tem a possibilidade de agilizar o diagnóstico dos pacientes e reduzir os custos do exame.
Segundo a UFJF, a pesquisa receberá auxílio financeiro para o desenvolvimento e aplicação. O objetivo geral da proposta é a detecção de coronavírus através da técnica amplificação isotérmica mediada por loop (Lamp).
A Lamp é uma técnica considerada recente e inovadora que surgiu como uma ferramenta simples e rápida de amplificação de DNA ou RNA que pode ser utilizada para detecção e identificação de diversos patógenos.
Essa técnica já foi empregada para estudos de Zika vírus e de H1N1 como uma alternativa para os testes convencionais de PCR, que são utilizados também para detecção do coronavírus.
“Ela possibilita resultados seguros, reprodutíveis e escalonáveis, permitindo obtenção de diagnósticos mais rápidos, contribuindo para agilizar a atenção clínica ao paciente que tanto necessita”, afirmou coordenador do grupo, Carlos Magno da Costa Maranduba.
De acordo com a pesquisa, usando essa técnica é possível agilizar o diagnóstico do paciente, liberando com segurança e eficiência. Com isso, o grupo pretende padronizar o ensaio de modo que possa duplicar ou triplicar o número de amostras analisadas por vez.
“Assim, será possível diminuir a sobrecarga quanto a obtenção dos diagnósticos, contribuindo para que o paciente receba atendimento com agilidade, o qual se espera. A técnica em si precisa ser padronizada, mas é executável, rápida e de baixo custo”, destacou o pesquisador.
Maranduba informou que o grupo do ICB agora foca em adquirir os insumos e padronizar o rapidamente a técnica para a Covid-19, uma vez que o prazo junto à agência de fomento é de 12 meses.
Técnica Lamp
Desenvolvida em 2000, a técnica Lamp possibilita a obtenção de uma quantidade de RNA amplificado em escala exponencial.
De acordo com Maranduba, é uma técnica molecular de amplificação isotérmica (em uma única temperatura) em que pode-se amplificar os ácidos nucleicos do RNA das células colhidas em tempo menor (de 15 a 60 minutos) e os resultados são analisados com cores e a olho nu.
“O mesmo não acontece com as técnicas convencionais (PCR em tempo real) que demanda alternância de temperaturas, tempo maior (até duas horas), além da necessidade de equipamentos caros na execução e obtenção dos resultados”, esclareceu.
Por isso, pela técnica de Lamp é possível realizar maior número de amostras de pacientes por vez, quando comparado às técnicas convencionais.
Segundo os pesquisadores, o método de PCR faz uso de insumos específicos e de custo elevado. O tempo de montagem da placa e corrida das amostras no PCR em tempo real é de aproximadamente duas horas e meia. Somada, a capacidade dos dois laboratórios da UFJF é de 100 testes diários, com liberação de resultados em até 48 horas após o recebimento das amostras.
Ainda conforme o pesquisador, a Lamp é uma técnica nova perto das convencionais. “Por isso, agora na China, justamente pela necessidade ocasionada pela pandemia, já estão empregando essa técnica, mas ainda precisa de aprimoramentos”, destacou.
Fomento a pesquisas para enfrentamento da pandemia
O Governo de Minas está mapeando projetos e ideias inovadoras de empresas e instituições científicas, tecnológicas e de inovação localizadas no Estado de Minas Gerais que promovam soluções de auxílio ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus e à superação dos danos sociais e econômicos por ela causados para obtenção de apoio financeiro.
De acordo com a Fapemig, o objetivo é ter um canal ágil para identificação de projetos que possam contribuir de forma relevante aos impactos da pandemia, de maneira a facilitar o direcionamento de esforços e recursos para viabilização das ações mais estratégicas.
As propostas submetidas foram avaliadas quanto à relevância e viabilidade financeira diante do contexto da crise por meio de Fórum Especial considerando as visões da saúde e do desenvolvimento econômico. Os projetos que foram considerados estratégicos serão financiados com apoio da Fundação.
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