Marília Mendonça entretém ‘rebanho’ com live feita com espontaneidade e pérolas da sofrência


Cantora compensa eventuais erros nas letras com segurança vocal em apresentação de três horas e meia. Marília Mendonça em live feita na noite de quarta-feira, 8 de abril
Reprodução / Vídeo
Resenha de live
Título: Live Local Marília Mendonça
Artista: Marília Mendonça
Data: 8 de abril de 2020, às 20h
Cotação: * * * 1/2
♪ “Agora (me) perdi… Para! Fiquei emocionada”, justificou Marília Mendonça ao interromper o canto da balada De quem é a culpa?, parceria da cantora e compositora com Juliano Tchula.
Lançada no álbum ao vivo Realidade (2016), a canção ajudou a entronizar Marília como rainha da sofrência sertaneja e, por isso mesmo, integrou o farto roteiro da live feita pela artista na noite de quarta-feira, 8 de abril, no canal oficial de vídeo da artista.
Marília recomeçou De quem é a culpa? com a mesma espontaneidade com que admitiu em público o erro no canto da música Estranho (2018). Patrocinada transmissão ao vivo que mobilizou três milhões de espectadores, de acordo com a contabilidade da equipe da cantora, a live de Marília Mendonça teve caráter beneficente ao estimular doações para o combate da pandemia do coronavírus.
Emoldurada no cenário verde montado na casa da cantora, Marília começou cantando sentada em poltrona, como se estivesse no trono de atual rainha do universo pop sertanejo. Mas, na metade da apresentação, atendou pedido para se levantar e cantou de pé a partir de Folgado (2015), música do primeiro álbum ao vivo da cantora.
Agendada para as 20h e aguardada com expectativa pelo público que consome o pop sertanejo, a live de Marília Mendonça travou nos primeiros dez minutos por problemas técnicos. “Começa! Meu chifre tá coçando”, gracejou um internauta nesse início atribulado.
Resolvidas as questões técnicas a partir da música Bebi liguei (2018), a live engrenou até ser interrompida provisoriamente, após duas horas, para a cantora poder urinar. “Chegou o grande momento. Vou fazer xixi”, brincou Marília, com o bom humor com que conduziu a live.
Entre menções a patrocinadores e recados sobre a importância de evitar aglomerações, mensagem reforçada com a exibição de vídeo em que o ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta saudou a cantora, Marília Mendonça encadeou sequência de músicas sobre dores de amores afogados no álcool.
Como fez questão de explicitar, a cantora recorreu ao uso de playblack com as bases de músicas que às vezes tenderam para o forró e em outras reproduziram arranjos mais fiéis ao estilo sertanejo, mas soltou a voz para valer.
E se confirmou cantora de verdade, mesmo com todos os eventuais esquecimentos de letras e erros de posicionamento perante às câmeras, todos perfeitamente desculpáveis pelo caráter inédito do evento. “Tô suando de nervoso”, admitiu a artista logo no início da transmissão.
Marília Mendonça solta a voz na live que mobilizou três milhões de pessoas
Reprodução / Vídeo
Mesmo nervosa, Marília segurou no gogó um repertório que chegou a soar repetitivo sem deixar de se comunicar de imediato com o público-alvo da live. Com exceção de uma ou outra música que retratou amor feliz, caso de Apaixonadinha (2019), composição gravada por Marília com Léo Santana, o repertório da rainha da sofrência versou sobre traições, saudades, desilusões e insatisfações amorosas, com a intérprete alternando-se nos muitos papéis desse roteiro afetivo.
“…E o preço que eu pago / É nunca ser amada de verdade”, lamentou em Amante sem lar (2107). “O que falta em você sou eu”, sentenciou no verso-título da canção O que falta em você sou eu (2014). “Te ver sofrendo não é bom, é sensacional”, rebateu, revanchista, em Passa mal (2018). “Se ele não te quer, supera”, aconselhou em Supera (2019), em momento de mulher para mulher.
No roteiro, Marília alternou músicas recentes e composições (um pouco mais) antigas, caso de Hoje somos só metade, sucesso de 2015, ano-chave na trajetória ascendente da cantora.
Em todos os momentos, pairou a espontaneidade. “Corta! Corta que essa eu não ensaiei”, pediu Marília assim que o técnico soltou o playback de música imprevista no roteiro.
A live reiterou a empatia e o poder de comunicação da popular cantora com o próprio público, chamado de “rebanho”.
Entre goles do “líquido misterioso”, que a artista revelou ser água com gás às 22h42m, e entre estratégicas divulgações de doações de empresas e artistas para ajudar no combate da covid-19, a cantora fez o que se esperava dela na live em nome de uma “proposta maior”, como ressaltou antes de reviver Quatro e quinze (2015), música das antigas, sendo que antiguidade, no caso de Marília, é composição de cinco ou seis anos atrás.
Dando voz a músicas mais ou menos novas, como a seminal Alô porteiro (2014) e a recente Ciumeira (2018), Marília Mendonça entreteve o “rebanho” ao longo de três horas e meia de transmissão.

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Francisco, El Hombre se une com Luê no single ‘Juntos, nunca sós’


Inspirada em poema de Castello Branco, música inédita é a primeira amostra de EP de cumbias produzido pela banda na quarentena. ♪ A banda Francisco, El Hombre aprendeu a gravar músicas na estrada enquanto estava em turnê pelo Brasil com o show baseado no álbum Rasgacabeza (2019) para poder manter o fluxo de produção do grupo paulista.
Esse aprendizado tem sido extremamente útil nestes tempos de quarentena. Tanto que o quinteto se impôs a tarefa de gravar e lançar EP de cumbias até o fim deste mês de abril. Várias faixas já estão sendo preparadas para dar forma ao disco.
A primeira música do EP a ganhar o mundo, Juntos, nunca sós, une o grupo à cantora Luê e sai em single programado para sexta-feira, 10 de abril, três dias após o lançamento do clipe colaborativo da faixa, produzido com imagens caseiras enviadas por artistas como Aíla, Dona Onete, Drik Barbosa, Gretchen e Josyara.
Inédita, a música Juntos, nunca sós foi composta por Francisco, El Hombre com Luê, tendo por inspiração um poema (“Juntos mas / Sós / Cuidamos de nós / Para cuidarmos de outros / Após”) do cantor e compositor Castello Branco, enviado aos músicos do grupo pelo produtor Dudu Marote através de mensagem de aplicativo.
“Partimos do poema e fizemos uma melodia, adicionando palavras em cima da ideia central. É uma música sobre o momento na perspectiva da esperança”, contextualiza Luê.

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