Caso Ghosn: brasileiro fugiu a partir de lounge de aviação executiva do aeroporto de Osaka


Funcionário da companhia de avião utilizada por Ghosn admitiu que falsificou registros ao não incluir o nome do executivo na documentação oficial, diz Reuters. Carlos Ghosn durante prisão no Japão, em 2019.
Reuters
Um calmo lounge do aeroporto de Osaka, o terceiro maior aeroporto do Japão, foi provavelmente o último local em que Carlos Ghosn esteve antes de sair do país, segundo informações da agência de notícias Reuters.
O ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi fugiu do Japão em um jato privado que decolou do Aeroporto Internacional Kansai, em Osaka, no oeste do país, afirmou o operador do avião. Mas para entrar no jato, o brasileiro teve que sair do Premium Gate Tamayura, lounge privativo utilizado exclusivamente para clientes de jatos executivos.
A operadora do jato, a companhia turca MNG Jet, afirmou que um de seus funcionários admitiu que falsificou registros ao não incluir o nome de Ghosn na documentação oficial.
“Ele teve que sair como passageiro, talvez disfarçado”, disse o porta-voz do aeroporto, Kenji Takanishi.
O que se sabe até agora e o que falta esclarecer sobre a fuga de Ghosn do Japão para o Líbano
A hipótese de que Ghosn teria fugido dentro de uma mala foi descartada pelos funcionários do lounge, já que bagagens muito grandes para passar pelo raio X são abertas e examinadas.
“Acho que eu reconheceria o Ghosn se eu desse uma boa olhada no rosto dele, mas a gente realmente não olha para a cara das pessoas”, disse um segurança no lounge à Reuters. “Seria difícil identificá-lo se estivesse usando um disfarce ou estivesse em um grupo.”
Depois de pousar na Turquia, Ghosn trocou de avião e viajou para o Líbano, onde tem nacionalidade.
Ghosn saiu sozinho de residência em Tóquio, diz TV japonesa
Donos de jatos executivos pagam 200 mil ienes, o equivalente a 1.850 dólares, para usar o lounge privativo do Aeroporto de Osaka.
As autoridades japonesas investigam como o empresário conseguiu deixar o Japão.
Caminho percorrido
Antes de chegar ao aeroporto de Osaka, imagens das câmeras de segurança mostram que Carlos Ghosn saiu sozinho no domingo passado (29) de sua residência em Tóquio, disseram fontes próximas à investigação citadas pelo canal público japonês NHK.
A gravação, feita por volta do meio-dia (0h de Brasília), é a última imagem do ex-presidente da aliança Renault-Nissan captada por uma câmera instalada perto da entrada de sua casa para vigiar seus deslocamentos, de acordo com a NHK.
Disfarces
Ghosn já tinha conseguido esconder sua identidade antes: quando ele foi liberado sob fiança da prisão em março passado, saiu do centro de detenção disfarçado de operário para evitar a imprensa.
Preso pela primeira vez em novembro de 2018, acusado de quatro crimes financeiros no Japão, o ex-executivo estava em prisão domiciliar desde abril de 2019, após pagamento de fiança. Ele aguardava julgamento no Japão.
No dia 30 de dezembro, Ghosn escapou do país asiático e divulgou um comunicado dizendo estar no Líbano — nascido no Brasil, Ghosn também tem cidadania libanesa e francesa.
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