Carlos Ghosn sofre de insuficiência renal, diz agência


Problema nos rins seria decorrente de um tratamento para colesterol alto. Brasileiro está detido em Tóquio por suspeitas de fraudes financeiras para enriquecimento ilícito. Carlos Ghosn no dia em que foi libertado sob fiança, em fevereiro passado, em Tóquio
Issei Kato/Reuters
Carlos Ghosn está sofrendo de insuficiência renal crônica, de acordo com informações reveladas pela agência Reuters nesta quinta-feira (11). A agência teve acesso a documentos da defesa do ex-presidente da Nissan, que mostram que o tratamento foi interrompido com a nova prisão do brasileiro.
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De acordo com os advogados, o ex-executivo teve os rins afetados devido a um tratamento para colesterol alto. Além disso, a defesa classificou a nova detenção como “ilegal” e alega que foi planejada para interromper a preparação da defesa, além de forçar uma confissão. Os promotores de Tóquio se recusaram a comentar o caso.
Preso novamente
Os promotores prenderam Ghosn na quinta-feira passada, em sua residência em Tóquio, onde ele estava hospedado desde a sua libertação, sob fiança, o levando de volta ao centro de detenção onde ele passou mais de 100 dias.
Autoridades prenderam Ghosn por suspeita de enriquecimento a um custo de US$ 5 milhões para a Nissan, já tendo sido acusado de má conduta financeira.
Antes da última detenção, Ghosn – que já foi um dos maiores executivos do setor automotivo do mundo por seu resgate da Nissan à beira da falência há duas décadas – negou todas as acusações contra ele e disse que foi vítima de um golpe na diretoria.
Problemas de saúde
Ghosn tem colesterol alto e, como resultado do tratamento, sofre de insuficiência renal crônica e rabdomiólise, disse a defesa. A rabdomiólise é uma síndrome em que as fibras musculares liberam seu conteúdo na corrente sanguínea.
Interromper seu tratamento pela “conveniência da investigação da promotoria” foi “desumano”, disse a defesa.
Os documentos também incluem um relato da esposa de Ghosn, Carole, que disse que os promotores a impediram de entrar em contato com seu advogado na manhã da prisão do marido.
Ela disse que foi repetidamente submetida a exames corporais, forçada a manter a porta do banheiro aberta ao usá-lo, e que uma investigadora estava presente no banheiro quando se despiu para tomar um banho.
“Eu senti que eles estavam me humilhando e me coagindo com essas ações desumanas”, disse Carole Ghosn em seu relato, de 4 de abril, o dia da nova prisão de seu marido.
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Fernanda Garrafiel, Roberta Jaworski e Juliane Souza/G1