Capital precisa de 4 vezes mais árvores; governo de SP lança programa para recuperar 1,5 milhão de hectares de mata


Temperatura média da cidade de São Paulo subiu 2,1ºC nos últimos 70 anos. Na Escócia, Doria diz que investirá R$ 1 bilhão em reflorestamento até 2050. SOS Mata Atlântica diz que não adianta plantar novas áreas se há desmatamento de florestas maduras no estado. Pontal do Paranapanema abriga o maior remanescente de mata atlântica no estado de SP
Divulgação/IPÊPrêmio Rolex 2004
A cidade de São Paulo deveria ter, pelo menos, quatro vezes mais árvores do que tem atualmente para tentar conter o avanço rápido da temperatura, segundo o professor Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.
Dados do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP mostram que a temperatura média da cidade de São Paulo subiu 2,1ºC nos últimos 70 anos, muito acima do registrado no planeta, onde o aumento médio, nesse período, foi de 0,5ºC.
Nesta quarta-feira (1), ao participar da COP 26 – a conferência do clima em Glasgow, na Escócia, o governo do estado de São Paulo lançou mundialmente um programa para conter o aquecimento global nas próximas décadas. O programa Refloresta São Paulo prevê recuperar 1,5 milhão de hectares de vegetação nativa até 2050 , com investimento público de R$ 1 bilhão.
A área que se pretende recuperar é o equivalente a 9.500 unidades do Parque Ibirapuera, localizado na Zona Sul de São Paulo. O trabalho será realizado em áreas que não são de restauração obrigatória conforme a legislação, nem estão ocupadas por atividades econômicas, como pastagens de baixa capacidade agrícola.
Dados da USP mostram, porém, na capital paulista, a cobertura vegetal é baixa e a distribuição de árvores é bem desigual, conforme a região. Para que a vegetação de uma cidade tenha impacto sobre o clima, o ideal seria ter pelo menos 20% da sua área coberta pela mata nativa – atualmente, o número na capital é de 11%.
Especialistas, porém, apontam que a meta é ambiciosa e que não ajuda recuperar e plantar nova vegetação se há desmatamento de floresta madura.
“1 milhão e meio de hectares a se recuperar é uma meta não só ambiciosa, mas importante para o estado. A gente vem regenerando florestas há vários anos com programas de pesquisas pra entender a Mata Atlântica e o Cerrado. Nós precisaríamos de 2 décadas e meia para dar tempo das plantas crescerem e formar algumas árvores e começar um recuperação sólida de partes da floresta”, diz Marcos Buckeridge
“É uma cobertura relativamente baixa, mas dentro do padrão das cidades grandes do mundo. Nós temos a Zona Leste, por exemplo, que tem um índice de arborização muito baixo; a Zona Oeste já está num índice de arborização bastante adequado. Temos essa desigualdade verde que precisa ser corrigida”, afirma o especialista.
Na Escócia, o governador disse que o estado vem ampliando a área reflorestada.
“São Paulo é o único estado que ampliou sua cobertura vegetal, sua cobertura vegetal nativa em 3% nesses quase 3 anos de governo, dando sequência ao aumento q teve nos 7 anos anteriores de 2%”, afirmou Doria em coletiva à imprensa.
O diretor de conhecimento da fundação SOS Mata Atlântica, Luis Fernando Guedes Pinto, que também está na Escócia participando do evento, entende que, tão importante quanto definir metas de reflorestamento, é necessário conter o desmatamento que ocorre na cidade e no estado de São Paulo.
“O que mais preocupa nesses desmatamentos, que são pequenos, é que a gente está perdendo áreas de florestas maduras, que tem um grande valor para conservação da biodiversidade, que tem mais acúmulo de carbono e a gente tá recuperando florestas jovens, mas elas vão demorar muito pra ter o mesmo valor dessas florestas que a gente tá perdendo”, afirma Guedes Pinto.
Ministro do Meio Ambiente anuncia nova meta para cortar emissões de gases até 2030
Durante a COP-26, o governo paulista reforçou o pedido de adesão voluntária dos 645 municípios ao acordo ambiental para a redução de emissão de gases de efeito estufa e incentivo às ações de sustentabilidade, um compromisso que foi assumido pelo estado com a ONU.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que vem aumentando o número de árvores plantadas a cada ano na cidade. Em 2018, foram plantadas na cidade 45,7 mil mudas; em 2019, 61,4 mil e, em 2020, com a pandemia, o número chegou a 62 mil novas árvores.