Caldos no mar exigem preparação, como atleta do Surfe SUP Race

Lena Guimarães caiu durante a prática do Stand Up Paddle

Lena Guimarães caiu durante a prática do Stand Up Paddle
Reprodução/RecordTV

A tricampeã brasileira Lena Guimarães, 38, conquistou o ouro no Surfe Stand Up Paddle Race na sexta-feira (2) no Pan Lima 2019. A atleta chegou a sofrer uma queda ao enfrentar uma onda na praia de Punta Rocas, a 60 km da capital peruana, mas conseguiu retormar a posição e chegar em primeiro lugar.

De acordo com o médico do esporte Ricardo Nahas, coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, embora a queda da própria altura não seja um problema, acidentes no mar podem ser perigosos.

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“A água tem maior densidade que o ar e, dependendo de como a pessoa cai, ela pode se machucar. Atletas, como estão acostumados, acabam aprendendo como cair na água para não se machucar. O mar também pode apresentar perigos, como águas-vivas e pedras no fundo, e o equipamento pode machucar quando a pessoa cai. Além disso, dependendo da temperatura da água, a pessoa pode sofrer choque térmico ou hipotermia, que pode levar a uma parada cardíaca”, explica o médico.

O Surfe Stand Up Paddle Race é uma modalidade do Stand Up Paddle que mistura manobras do surfe clássico com o apoio do remo e a corrida para quem termina o percurso primeiro.

Nahas afirma que o mar é um ambiente diferente do solo e, assim, com bactérias diferentes também, podendo exigir antibióticos específicos para as infecções. Assim, é recomendado que as pessoas que praticam esportes no mar, como o surfe e o stand up, usem roupa apropriada para proteger a pele tanto de infecções quanto de lesões. É importante que a roupa seja própria para a prática de esportes aquáticos, ajudando na flutuabilidade.

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“A primeira coisa que uma pessoa tem que fazer, se quiser praticar esportes aquáticos, é saber nadar bem. E não adianta saber nadar só na piscina, é preciso nadar no mar, porque o ambiente é diferente. Tem ondas, tem correnteza. Tem que saber lidar com o mar antes de praticar o exercício”, afirma o médico.

Em atletas, Nahas alega que eventos como a queda de Lena, são acidentais, mas eles têm maior tendência a lesões crônicas por repetição de movimento e problemas nas articulações e joelhos, por ficarem em cima da prancha.

O especialista também alega que é importante que a pessoa tenha a preparação muscular adequada, tanto da região do core (coração), quanto das pernas, para manter o equilíbrio. Ele recomenda que seja feito o uso de toucas ou tampões para o ouvido para evitar a entrada de água e possíveis infecções.

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O praticante deve conhecer o local em que irá praticar a atividade, sabendo se há águas-vivas, tubarões ou pedras e fazer o esporte apenas em locais que já conhece. É importante que ele saiba quais são os pontos de escape daquele local, ou seja, a localização de salva-vidas e socorro, caso precise, e evitar ir para o fundo, facilitando a saída caso ocorra um acidente.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

Assista ao vídeo de Lena Guimarães enfretando a onda: