Caio Prado anuncia o terceiro álbum com o incendiário single antirracista ‘Não sou teu negro’


Previsto para 2021, o disco ‘Griô’ tem repertório engajado com músicas autorais como ‘Baobá’ e ‘Cantiga de Erê’. ♪ Não sou teu negro. O título da música que Caio Prado lança estrategicamente na sexta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, já dá o tom politizado do incendiário primeiro single do terceiro álbum do cantor e compositor carioca.
Intitulado Griô, o álbum tem lançamento previsto para 2021. Mas, ainda em 2020, outros dois inéditos singles autorais serão apresentados pelo artista. Música caracterizada como “manifesto antirracista”, Não sou teu negro é composição assinada somente por Caio Prado e alude no título ao documentário Eu não sou seu negro (2018), inspirado em inacabado livro do escritor e ativista norte-americano James Baldwin (1924 – 1987).
Com versos geradores de identidade e orgulho negro, como “Não nasci para te servir nem te ouvir / Eu sou canto de Zumbi, resisti / … / Hoje sei do meu valor, negro amor / Me levanto junto a voz dos irmãos / Pra fazer reparação deve haver na nossa mão / A riqueza fruto da nossa dor”, a composição foi gravada no estúdio carioca Toca do Bandido com produção musical de Felipe Rodarte e com os toques do músicos Boka Reis (percussão), Elísio Freitas (guitarra), Marcelo Cebukin (metais) e Marcelo Delamare (baixo synth).
Caio Prado na capa do single ‘Não sou teu negro’
Rael Barja / Divulgação
Com vigoroso acento percussivo e coro de tom épico, o arranjo cai na cadência do samba no verso-refrão-título “Não sou teu negro”, mas extrapola a roda do samba, embutindo várias referências da música negra ancestral em gravação explosiva que prenuncia álbum fortemente engajado.
Em 4 de dezembro, Caio Prado apresentará o segundo single do álbum Griô, Baobá, parceria do artista com Verônica Bonfim. Em 15 de dezembro, é a vez do single Cantiga de Erê chegar aos players digitais com a gravação da composição de Caio Prado e Jean Kuperman.
“O álbum Griô se baseia na tradição oral para a transmissão de vivências e saberes culturais de uma comunidade. É registro vivo, com instrumentos, elementos e rituais de iniciação. É como um historiador que trabalha com o canto e a memória”, conceitua o artista.
Griô sucederá os álbuns Variável eloquente (2014) e Incendeia (2018) na discografia solo de Caio Prado, integrante do performático trio queer carioca Não Recomendados.
Caio Prado manifesta orgulho da identidade no single ‘Não sou teu negro’
Marcos Hermes / Divulgação