Cachorros e cavalos se comunicam com expressões faciais durante brincadeiras, aponta estudo


Animais conseguem imitar expressões uns dos outros em interações. É a 1ª vez em que tal interação entre duas espécies animais é verificada cientificamente. Cachorro interage com cavalos nas montanhas de Kayseri, na Turquia
Sercan Kucuksahin/Anadolu Agency via AFP/Arquivo
Cachorros e cavalos conseguem se comunicar imitando as expressões faciais uns dos outros durante brincadeiras, uma interação entre duas espécies animais verificada pela primeira vez em um novo estudo.
O mimetismo facial rápido já foi verificado, por exemplo, em estudos sobre primatas, cachorros domesticados, suricatos e ursos-malaios. Mas a descoberta dessa interação entre espécies diferentes pode indicar que existem padrões para uma “linguagem universal da diversão”.
“Brincadeiras são uma atividade recorrente para mamíferos e aves, e representam um campo em que é possível desenvolver um caminho comum para comunicação”, afirma Elisabetta Palagi, sociobiologista da Universidade de Pisa, na Itália, e uma das autoras do estudo.
Cachorro corre para cheirar o focinho de um cavalo no momento em que o equino escorregou na pista coberta de neve em quanto puxava um trenó na vila de Martsiyanauka, Ucrânia, durante festa do feriado local conhecido como Kolyada
Sergei Gapon/AFP/Arquivo
Os pesquisadores tiveram como base 20 vídeos de cavalos e cachorros brincando por no mínimo 30 segundos, sem interação humana. Os resultados do trabalho foram publicados na revista “Behavioral Processes”.
Além do mimetismo facial rápido, foi verificado que as duas espécies constantemente mostravam as bocas abertas e relaxadas, reação comum durante brincadeiras entre mamíferos. Também se colocavam em posições vulneráveis, rolando e expondo a barriga e o pescoço.
Cientistas suspeitam que o propósito das brincadeiras tem ligação com o desenvolvimento de habilidades sociais e de caça, além de aliviar o estresse.
Cachorro descansa sobre a traseira de um cavalo em Ouistreham, no norte da França
Charly Triballeau/AFP