Brasil já teve três epidemias de meningite. A pior foi nos anos 1970

A meningite foi descrita pela primeira vez na Grécia Antiga, por Hipócrates, “pai” da medicina. Já os primeiros casos de meningite do Brasil foram registrados em São Paulo, em fevereiro de 1906 entre imigrantes europeus oriundos da Ilha da Madeira, em Portugal, de acordo com estudo do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Os pacientes tiveram que ser isolados para evitar a proliferação da doença. O diagnóstico foi confirmado por autópsia pelo médico Adolfo Lutz, que identificou o meningococo, uma bactéria

Até 1919 ocorreram apenas casos esporádicos de meningite no país, segundo a pesquisa. No início do século 20, a transmissão acontecia exclusivamente entre imigrantes europeus. Em 1911 foi registrado o primeiro caso em um brasileiro. A partir daí, começou a disseminação da doença, principalmente entre militares que ficavam enclausurados em quarteis

A primeira epidemia de meningite meningocócica do Brasil data de 1920, em São Paulo. O motivo, segundo periódicos médicos, foi a condição precária de moradia dos operários. A incidência da doença teria aumentado oito vezes nesse período. O auge da epidemia foi em 1923, quando os casos aumentaram 12 vezes

A aplicação da penicilina no tratamento da meningite meningocócica, em 1944, revolucionou o modo de lidar com a doença. Antibióticos à base da substância foram utilizados com sucesso. Neste ano, casos de cura da doença foram relatados no Brasil e nos Estados Unidos

Nos anos 1930 e 1940 foi a vez de a Europa registrar epidemias de meningite meningocócica. Os danos causados pela Segunda Guerra Mundial teriam influenciado a disseminação da doença. Em 1945 também há registro de mais uma epidemia no Brasil. A taxa de incidência, que era de menos de 2 casos por 100 mil habitantes, passou para 9 casos. Foram quase 2 mil casos, mas a mortalidade caiu graças ao uso do antibiótico, segundo o estudo

O Brasil registrou a pior epidemia de meningite de sua história em 1971, em plena ditadura militar. O caso ocorreu na cidade de São Paulo e alcançou seu auge em 1975, quando houve o registro de 411 mortes, sendo uma média de 1 morte por dia, segundo dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). O órgão ressalta que a letalidade da doença tende a diminuir em momentos epidêmicos devido ao diagnóstico e tratamento precoces

Nesta epidemia, a incidência da doença chegou a 179 casos por 100 mil habitantes. Foram registrados 12.307 casos na cidade de São Paulo, com média de 33 casos por dia, de acordo com o registro dos pesquisadores da Santa Casa de São Paulo

Na época, a epidemia teve início na periferia e avançou em direção ao centro da cidade de São Paulo. As regiões pobres foram as mais afetadas. Os
primeiros casos foram registrados em Santo Amaro, na zona sul. Logo depois, São Miguel Paulista, na zona oeste, foi a área atingida, de acordo
com o Cremesp. Depois de um ano, a meningite chegou às zonas oeste e norte e,
finalmente, ao centro

A grande epidemia dos anos 1970 levou à chegada da vacina ao Brasil. O maior índice da doença ocorreu entre menores de 1 ano, mas a meningite atingiu todas as faixas etárias, de acordo com o Cremesp. A vacina foi licenciada no país em 1974, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Hoje, existem vacinas contra diversos tipos de meningite meningocócica que podem ser ministradas a partir dos 3 meses de vida