‘Boyband de um homem só’, Lauv diz que cantar sobre depressão já virou algo ‘meio clichê’


Ao G1, atração do Lolla diz que assunto é importante, mas que nem todos artistas são autênticos. Ele explica como criou 6 personagens que representam traços de sua personalidade. Lauv canta no Lollapalooza nesta sexta-feira (3)
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auv escolheu contar sua história tanto nos bons e maus momentos através de seis personagens no álbum, “~ How I Feeling~”, lançado na sexta-feira (6).
Lauv, cantor americano atração do Lollapalooza, escolheu contar sua história de momentos bons e ruins através de seis personagens. Esse sexteto está em seu primeiro álbum, “~How I’m Feeling~”, lançado neste mês.
Cada um desses seis representa uma parte da personalidade deste rapaz de 25 anos. Tem um Lauv engraçadão, o impulsivo, o existencialista, o romântico sem esperança, o positivo e o “boy lixo”.
Em entrevista por telefone ao G1, Lauv disse que a brincadeira da “The One Man Boyband” (“Boyband de um homem só”) também vai estar no palco do Lollapalooza 2020. Ele canta na sexta-feira de festival, no dia 3 de abril.
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“Eles são basicamente partes diferentes da minha personalidade e o álbum é sobre aceitar as diferentes partes de você, sobre quem você é e não tentar ser um só.”
“Pensei que uma maneira divertida de representar isso seria criar esses personagens que estão trabalhando juntos para ser a pessoa mais forte que eles podem ser”. No caso, ele mesmo.
Pop angustiado
Lauv já escreveu músicas para Celine Dion, Charli XCX e Cheat Codes
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Antes de começar a escrever as 21 músicas de seu primeiro disco, Ari Staprans Leff, nome de batismo de Lauv, estava perdido e angustiado.
“Havia algo dentro de mim gritando para sair e eu senti que estava bloqueando. Chegou ao ponto que eu meio que desmoronei e isso explodiu na minha cara.”
“Estava mental e emocionalmente cansado, no fundo do poço, mas saí daquilo e comecei a trabalhar, a me sentir bem comigo mesmo”.
Esse sentimento descrito por ele está em músicas como “Modern Loneliness”, “I’m so tired…” e “F*ck, I’m Lonely”, que fazem de Lauv mais um representante do pop ansioso, o pop da autoajuda tão comum nos últimos anos.
É algo tão recorrente que Lauv dá até uma leve cutucada: “Acho bem importante falar sobre depressão, ansiedade, mas também virou um assunto , até meio clichê.”
“Muitas pessoas falam sobre isso, mas não de uma forma autêntica”, afirma. “Quero dizer, não quero julgar, porque falar sobre isso ajuda, mas no meu caso eu só compartilho a minha experiência específica”.
Além da música, ele diz que meditar foi importante para tratar a depressão. Tomar remédios antidepressivos também:
“Muitas pessoas consideram isso uma coisa ruim, mas foi honestamente útil para mim. É importante estar aberto a isso.”
Letras e tatuagens reais
Por mais que fale sobre o tema, a música de Lauv nem sempre é melancólica. O cantor tem músicas animadas como “Tattoos Together”.
A letra conta a história de um casal que estava andando em Portland, no estado americano de Oregon, e resolveu fazer uma tatuagem juntos.
A cena aconteceu na vida real com uma namorada de anos atrás. “Eu tive a impulsiva decisão de fazer a tatuagem para fazê-la feliz. E quer saber? Eu não me arrependo. Foi um ótimo período da minha vida”, diz, muito bem resolvido.
O começo de Lauv na música foi aos 13 anos, quando escreveu sua primeira canção. Ele lembra de sempre ouvir o pai cantando e as irmãs tocando algum instrumento em casa.
Além de ter suas músicas e ter sido a atração de abertura de shows do Ed Sheeran, já escreveu letra cantada por Charli XCX (“Boys”), outra atração do Lolla 2020. Também trabalhou para Demi Lovato (“No Promises”) e até para Celine Dion (“Imperfections”).
BTS, Troye Sivan e mais feats
BTS, Troye Sivan, Sofia Reyes, Anne-Marie e Alessia Cara participam do álbum de Lauv. “Nunca imaginei que poderia trabalhar junto com eles. É muito louco isso.”
Lauv e Troye Sivan, atração do Lolla 2019, tocaram juntos algumas vezes, ficaram amigos e resolveram entrar no estúdio “sem nenhuma grande intenção”. “Fizemos uma música, mas ela não era nada boa”, admite.
“Às vezes isso acontece quando você escreve com outra pessoa, mas ninguém quer virar e falar ‘é, isso aqui está muito ruim’.”
A sorte é que ele tinha o refrão de “I’m So Tired” pronto, cantou o trecho, Sivan adorou e eles terminaram a música juntos.
De boa em Los Angeles
Ao falar sobre o processo de composição, Lauv até dedilha algumas notas no piano durante a entrevista. Ele estava em sua casa em Los Angeles e disse que não tem muito ritual, não.
“Começo algumas no piano, outras no violão, às vezes só gravo a ideia e mando para meus amigos criarem os beats.”
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Cada um deles representa uma parte da personalidade doa de 25 anos. Tem um Lauv engraçadão, o impulsivo, o existencialista, o romântico sem esperança, o positivo e o “boy lixo”.
Lauv mudou de cidades muitas vezes desde que era criança: nasceu em São Francisco, na Califórnia, mas já morou em Atlanta, Filadélfia e fez faculdade em Nova York.
Mas hoje mora e gosta de viver em Los Angeles: “Tenho uma casa aqui, meus amigos estão por perto, tenho meu cachorro.”
Ele se diz um cara inquieto e quando perguntado se quer ir em festas em São Paulo, responde que é do time que fica mais de boa. “Tento cuidar de mim durante as turnês, antes eu gostava mais de festas.”
“É cansativo, sabe? Tento me concentrar nos shows, porque eles por si só já são incríveis. Não sou muito bom em lidar com tempo livre, tipo ficar sentado em um ônibus ou avião, então tento sempre ficar ocupado e colocar minha mente em um bom lugar.”