Bilheteria nos EUA cai ao menor nível em duas décadas em meio ao coronavírus


Entre sexta-feira e domingo, foram arrecadados US$ 55 milhões. Menor marca anterior foi em 2000, com US$ 54 milhões Entrada de teatro em Nova York
Mike Segar/Reuters
Grande parte da vida pública dos Estados Unidos foi praticamente interrompida nesta semana. No mundo do entretenimento, parques temáticos foram fechados, a Broadway apagou as luzes, estúdios tiraram grandes carros-chefes de seus calendários de estreias e virtualmente todos filmes e programas de TV tiveram a produção paralisada, à medida que o coronavírus continua a se espalhar.
A indústria de exibições de filmes, que depende da reunião de pessoas em seus espaços, tem sido relutante em fechar completamente as portas em meio à atual crise de saúde pública.
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Antes de sexta-feira, o medo do coronavírus não parecia afetar o público dos cinemas. Mas a bilheteria deste fim de semana mostra que significativamente menos pessoas estão indo às salas.
A venda de ingressos na América do Norte atingiu seus níveis mais baixos em mais de duas décadas, gerando US$ 55,3 milhões entre sexta-feira e domingo. Apenas um filme, “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”, da Disney-Pixar, arrecadou mais de US$ 10 milhões ao longo do fim de semana.
A última vez em que o faturamento havia sido tão baixo foi em um fim de semana em meados de setembro de 2000 (US$ 54,5 milhões). A queda brusca fez com que a bilheteria acumulada anual passasse a apontar queda de quase 9%, segundo o Comscore.
A receita com bilheterias domésticas inevitavelmente cairia neste fim de semana porque a AMC e a Regal, duas das maiores redes de cinema, e muitos outros circuitos como Alamo, Drafthouse e Arclight, cortaram a capacidade de suas salas em 50% para evitar aglomerações.
Reduzir o número de ingressos vendidos por sala de cinema ajudou os estabelecimentos a cumprirem as recomendações de “distanciamento social” do Centro de Controle de Doenças e Prevenção. Os cinemas também mantiveram fileiras e assentos vazios para assegurar espaço entre clientes.
No geral, a baixa venda de ingressos foi uma combinação entre o público ficando em casa e cinemas cortando sua capacidade. 
“O impacto dessa situação sem precedentes foi aparente em muitas indústrias”, afirmou Paul Dergarabedian, analista de mídia sênior do Comscore. “Claro que salas de cinema, entre a capacidade reduzida e uma série de circunstâncias que estão em desenvolvimento, tiveram um fim de semana muito desafiador”. 
Embora a maioria dos cinemas da América do Norte siga aberta até certo ponto, China, Coreia do Sul, Itália e outras áreas muito afetadas pelo coronavírus fecharam completa ou parcialmente seus cinemas por semanas. Os fechamentos em massa já resultaram em bilhões de dólares em perdas de receitas. 
Diante das preocupações pelo coronavírus, exibidores nos EUA que permaneceram abertos tomaram precauções extras para aumentar a higienização. Isso incluiu a esterilização de assentos, apoios para braços e porta-copos com maior frequência e desinfecção de todas as superfícies de contato com as mãos em horários de pico.
Executivos de estúdio e analistas de mídia reconhecem que a bilheteria global está em território desconhecido, com importantes mudanças de cenário acontecendo em ritmo rápido.
Até a última quinta-feira, grandes filmes de Hollywood que deveriam chegar ao cinema nos próximos dois meses, – incluindo ‘Mulan’, da Disney, ‘Um Lugar Silencioso 2’, da Paramount, ‘Velozes e Furiosos 9’, da Universal, e ‘007 – Sem Tempo Para Morrer’, da MGM – foram retirados do calendário de estreias.
Isso significa que, mesmo se os cinemas mantiverem as portas abertas, o volume de conteúdo disponível diminuirá dramaticamente.