BC dos EUA vai agir ‘conforme apropriado’ para sustentar crescimento, diz Powell


Federal Reserve vem monitorando de perto as implicações da guerra comercial que tem apresentado riscos aos EUA e ao crescimento econômico mundial. Presidente do Fed, Jerome Powell, em coletiva de imprensa após decisão do BC dos EUA de elevar os juros pela 1ª vez em 2018
Aaron P. Bernstein/Reuters
O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), vai responder “conforme apropriado” para manter o crescimento diante dos riscos apresentados por uma guerra comercial global e outros acontecimentos recentes, afirmou nesta terça-feira (4) o chairman órgão, Jerome Powell, em declarações que parecem abrir a porta sobre a possibilidade de um corte de juros.
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Em um breve comunicado incluído como parte de um discurso sobre questões mais amplas de política monetária, Powell disse que o Fed está “monitorando de perto as implicações” de uma disputa comercial que tem, desde a última reunião do Fed, afetado os mercados acionários e de títulos globais e apresentado riscos aos EUA e ao crescimento econômico mundial.
“Não sabemos como ou quando essas questões serão resolvidas”, disse Powell. “Como sempre, vamos agir conforme apropriado para sustentar a expansão, com mercado de trabalho forte e inflação perto do nosso objetivo simétrico de 2%”.
As declarações dele não incluíram uma referência à atual taxa de juros do Fed como apropriada, nem uma repetição da promessa de ser “paciente” antes de elevar ou reduzir os juros de novo –ambas referências padrão nos últimos comunicados do Fed.
As declarações também refletem uma crença menor no banco central norte-americano de que o governo do presidente Donald Trump vai resolver suas disputas com parceiros comerciais em um cronograma que apresente pouco risco para o crescimento econômico dos EUA.
A perspectiva de elevadas tarifas globais e uma guerra comercial prolongada levaram o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, a defender um corte de juros nesta semana, e intensificaram as apostas do mercado de que o Fed deixará de lado sua promessa de paciência e reduzirá os custos de empréstimo.
O Fed vem mantendo os juros desde dezembro, quando os elevou para a faixa entre 2,25% e 2,5%. Embora esteja em nível baixo pelos padrões históricos, a taxa está em torno do nível que autoridades sentem ser “neutra”, o que significa não encorajar nem desencorajar os investimentos e os gastos.
As declarações sobre comércio abriram comentários que dão um tom sombrio sobre o dilema que o Fed enfrenta. Com juros e inflação em níveis tão baixos, disse Powell, contrações futuras devem forçar o banco central a cortar de novos os juros para zero e recorrer a ferramentas “não convencionais” como compra de títulos para sustentar a economia.
“Haverá uma próxima vez”, disse Powell ao abrir uma conferência de dois dias para discutir se deve-se tentar elevar a inflação e os juros, ou planejar mais rodadas de compras de ativos.
Juros tão perto de zero “se tornaram o desafio preponderante de política monetária no nosso tempo”, disse Powell. “Talvez seja a hora de retirar o termo ‘não convencional’ quando nos referimos a ferramentas que foram usadas na crise. Sabemos que ferramentas como essas deverão ser necessárias de alguma forma no futuro.”