Bayer já soma mais de 18 mil processos nos Estados Unidos pela venda do glifosato


Até o fim de abril, gigante alemã recebeu 5 mil novos processos questionando os efeitos do agrotóxico à saúde humana. O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo
Benoit Tessier/File Photo/Reuters
O grupo químico alemão Bayer enfrenta 18,4 mil ações nos Estados Unidos contra o herbicida glifosato, de sua subsidiária Monsanto. Um volume de processos que segue aumentando constantemente, “envenenando” a integração do grupo norte-americano comprado no ano passado.
Os US$ 63 bilhões desembolsados ​​em junho de 2018 pelo grupo fariam desse casamento a maior aposta da história da Bayer. A expectativa, no entanto, não previa essa avalanche de ações judiciais que vem caindo há meses sobre o novo gigante agroquímico mundial, em um episódio difícil de ter seu desfecho avaliado.
Mitos e verdades sobre o glifosato
Só no final do mês de abril, 5 mil novos processos se somaram a esta ameaça judicial, revelou nesta terça-feira (30) o grupo, já condenado por três vezes a compensar um ex-jardineiro, um aposentado e um casal que sofrem de câncer.
Nesses casos iniciais, na Califórnia, os júris indicaram que o uso por longo prazo e repetido do glifosato pode ter causado o linfoma não-Hodgkin dos requerentes, um ponto implacavelmente contestado pela Bayer.
Eles também sancionaram o “comportamento repreensível” da Monsanto, visando “impedir, desencorajar ou distorcer a investigação científica”, uma vez que os primeiros estudos internos do grupo “sugeriram que o glifosato poderia causar câncer”.
Os valores devidos pelo grupo em cada caso, no entanto, foram bastante reduzidos pela segunda avaliação de um juiz, de US$ 289 milhões para US$ 78 milhões, de US$ 80 milhões para US$ 25 milhões e de US$ 2 bilhões para US$ 86,7 milhões, respectivamente.
Mas este é apenas um pequeno alívio para a Bayer, que pretende apelar para ser isenta de toda a responsabilidade, apoiando-se em centenas de estudos favoráveis ​​e no endosso de reguladores em todo o mundo desde o lançamento do glifosato no mercado, em meados da década de 1970.
“Provavelmente cancerígeno”
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), um desdobramento da OMS, considerou em 2015 que o glifosato era “provavelmente cancerígeno”. No entanto, esta é uma avaliação do risco absoluto do produto, não o risco de exposição a doses constantes.
A Bayer também promete “participar ativamente” na mediação decidida no final de maio por um juiz de São Francisco, e confidenciou ao advogado Kenneth Roy Feinberg que “só vai considerar um acordo amigável se este for financeiramente razoável”, advertiu o chefe Werner Baumann.
Em junho, quando as ações da Bayer já haviam perdido 40% do seu valor de mercado em menos de um ano, os analistas do Berenberg Bank apostavam em um valor de cerca de US$ 1 milhão por requerente, o que elevaria as despesas da empresa para dez bilhões de euros.
Citado nesta terça-feira pela agência alemã DPA, Markus Mayer, do Banco Baader, estima um acordo que inclua entre € 15 bilhões e € 20 bilhões. Outros analistas acreditam que a Bayer persistirá em uma longa e dispendiosa batalha judicial com a Suprema Corte.
“Acreditamos que eventualmente venceremos nesta disputa, com base em conquistas científicas, e continuamos determinados a defender com vigor”, disse Werner Baumann.
Administração desaprovada
O inventor alemão da aspirina fez a maior aquisição de sua história, no ano passado, ao comprar a Monsanto, confiando na crescente demanda de produtos químicos para alimentar um planeta cada vez mais povoado e afetado pelo aquecimento global.
Mas o grupo desde então só lidou com uma cascata de processos direcionados à Monsanto, a tal ponto que os acionistas da Bayer infligiram, no final de abril, uma desaprovação à administração ao votar contra sua estratégia.
Entre estes está o fundo ativista norte-americano Elliott, que controlava no final de junho cerca de 2% do grupo e é considerado um estímulo à quebra de grandes conglomerados por IPOs parciais.
A Bayer ainda não concluiu sua reestruturação, anunciada no último outono, que inclui a eliminação de 12 mil posições, o que interferiria nos resultados trimestrais.