Banda I.W. Company tem obscura história recuperada em CD que compila singles editados entre 1969 e 1970


Coletânea joga luz sobre o pioneirismo do grupo fluminense de rock na produção fonográfica independente do Brasil. ♪ Loja que resiste há 18 anos na cidade do Rio de Janeiro (RJ) como ponto de venda de LPs e CDs, Tropicália Discos vira selo fonográfico. O primeiro lançamento do selo, I.W. Company, sai em CD neste mês de agosto de 2021, mobilizando colecionadores de discos por recuperar página até então desconhecida da história do rock fluminense.
I.W. Company é o nome da banda fundada no fim dos anos 1960, na cidade de Niterói (RJ), por Winston Ramos de Almeida (voz, violão e piano) com o amigo da adolescência Ruy Buarque (voz) e com Liszt Ayala (guitarra, baixo e voz), Cláudio Wilson (bateria e percussão) e Manoel Ramos (voz e percussão).
Entre 1969 e 1970, a banda bancou a gravação e edição por vias independentes – ação então pioneira no mercado fonográfico brasileiro – de cinco singles duplos.
As dez músicas registradas pela banda nesses singles – rocks compostos e gravados no estúdio Philotsom, no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), com influência da onda psicodélica da época e do folk rock do então novato grupo norte-americano Crosby, Stills, Nash & Young – foram reunidas no CD editado graciosamente em formato de mini LP, como se fosse um LP de capa dupla.
O encarte reproduz as letras das dez músicas, às quais foram adicionadas outras quatro faixas produzidas posteriormente, sendo duas inéditas e duas versões acústicas de She’s a lady e You’ll turn out to be mine, músicas de autoria de Winston.
Winston Ramos de Almeida, líder da banda I.W. Company
Divulgação / Tropicália Discos
O curioso é que os singles da banda I.W. Company foram produzidos sem intuito comercial, mas como material didático para o curso de inglês Instituto Winston Company, aberto pelo líder da banda em Niterói (RJ) após voltar de viagem aos Estados Unidos, onde tinha ido ver show de Crosby, Stills, Nash & Young.
Doados aos alunos, os singles – compactos simples, no jargão fonográfico brasileiro da época – viraram relíquias e um deles foi avistado à venda na rua, em 2005 por Bruno Alonso, um dos donos da loja Tropicália Discos.
Alonso comprou o disco sem saber da história da banda. Os pontos dessa história somente foram ligados dez anos depois, em 2015, quando Winston foi à loja com o intuito de vender a coleção de discos do irmão, então recentemente falecido, e Alonso reconheceu na coleção o single que comprara na rua.
Narrada no documentário Faixa escondida – I.W. Company (2017), a história ganha outro capítulo com a edição do CD I.W. Company.
A reunião no disco das gravações originais de músicas como Say it loud (Winston e Ruy Duarte), Poor bad looser (Winston), You wanna be free (Winston), He’s never found (Winston), Let the sun shine in (Winston e Ruy Duarte) – eco da ideologia hippie do musical norte-americano Hair (1967) – e I’ll realize (Winston e Ruy Duarte) presta bom serviço à memória fonográfica nacional que seria ainda melhor se o CD informasse as procedências das 14 faixas, não contextualizadas no texto escrito por Ruy Duarte e publicado n as contracapas internas do disco.