Bactérias na flora intestinal protegem contra a obesidade

Atualmente há mais de 1,9 bilhão de pessoas obesas no mundo

Atualmente há mais de 1,9 bilhão de pessoas obesas no mundo
Pixabay

Um tipo específico de bactéria na flora intestinal impede que os ratos se tornem obesos, segundo uma pesquisa da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que pode indicar uma forma de controle do peso nos humanos.

“Agora que encontramos a bactéria responsável por este efeito de emagrecimento, poderíamos entender realmente o que fazem os microrganismos e se têm valor terapêutico”, disse June Round, professora de Patologia que conduziu o estudo publicado na edição desta semana da revista Science.

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Ao longo do último século, a obesidade e a síndrome metabólica – um conjunto de transtornos simultâneos que aumentam o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes tipo 2 – se transformaram em uma epidemia global, segundo o estudo.

Atualmente há mais de 1,9 bilhão de pessoas obesas no mundo e vários estudos apontaram o papel de regulação do sistema imunológico na doença metabólica.

O corpo humano contém cerca de 100 trilhões de microrganismos, principalmente no trato digestório, incluindo mil espécies diferentes de bactérias que compreendem mais de três milhões de genes.

Em condições saudáveis estas bactérias cumprem funções vitais como a intervenção na expressão de genes e a prevenção de doenças, e os cientistas determinaram seu papel-chave na regulação do metabolismo dos mamíferos.

O estudo constatou que os ratos saudáveis têm em sua flora intestinal grande quantidade de clostridia, uma classe que compreende de 20 a 30 bactérias, enquanto os ratos com deficiência no sistema de imunidade perdem estes micróbios conforme envelhecem.

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Mesmo tendo uma dieta saudável, estes ratos se tornaram obesos, mas quando foram ministradas bactérias da classe clostridia, os animais se mantiveram magros.

“Estas bactérias evoluíram para viver conosco e nos beneficiam”, afirmou Charisse Petersen, que estudava para um doutorado quando colaborou na pesquisa.

“Temos muito a aprender com elas”, acrescentou.

Por sua vez, Round ressaltou que outros estudos apontaram que as pessoas obesas sofrem uma carência de clostridia, e há indícios de que as pessoas obesas ou com diabetes tipo 2 podem ter uma resposta imune deficiente.

As pesquisadoras esperam que estas conexões abram caminho para novas formas de prevenir e tratar problemas de saúde que são muito comuns.

“Nós encontramos um aspecto relativamente inexplorado da diabetes tipo 2 e da obesidade”, indicou Round.

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“Este trabalho nos conduz a novas pesquisas sobre a forma como a resposta imunológica regula a microbiota e a doença metabólica”, completou.

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