Ataque de doença derruba a produção do trigo 2ª safra no Cerrado

Excesso de chuva estimulou a presença de brusone, doença que deve gerar, segundo a Embrapa, uma quebra de produção de até 70% na região. Ataque de doença derruba a produção do trigo 2ª safra no Cerrado
Produtores que apostaram no trigo como opção para a segunda safra no Cerrado estão enfrentando uma quebra de até 70% em municípios de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, segundo a Embrapa. Cerca de 150 mil hectares do cereal foram cultivados na região.
O motivo identificado pela empresa de pesquisa é o ataque de brusone, uma doença devastadora, que atinge plantações de arroz e trigo. De acordo com o pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados, o clima úmido contribuiu para a proliferação do fungo causador da doença.
“É que esse fungo ataca a espiga, e a parte que ele ataca na espiga, dali para cima, não tem mais seiva, então, não tem mais enchimento do grão”, explicou Albrecht.
O Distrito Federal teve o mês de abril mais chuvoso da última década. E, como era de se esperar, o trigo não resistiu. Um banho de água fria para os produtores da região que vinham investindo no cultivo.
O produtor rural Leomar Cenci aumentou a área plantada neste ano: passou de 200 hectares para 500 hectares, mas a colheita deverá ser cerca de 20% do esperado. O que for colhido vai para ração animal, já que vai faltar qualidade para produção de farinha.
“A gente investiu para tentar fazer uma condução ideal, fez várias aplicações de fungicidas. Aqui nessa área, foram feitas 4 aplicações e, mesmo assim, a gente não conseguiu controlar a doença”, disse.
De produção acima de média para quebra de safra
O agricultor José Guilherme Brenner apostou no cultivo de 150 hectares sem irrigação do trigo safrinha, em Paranoá, também no Distrito Federal. Ele queria aproveitar a estação chuvosa para garantir uma boa produtividade, mas choveu até demais.
Agora, Brenner faz as contas e espera colher apenas 70 toneladas do cereal, cerca de 20% do esperado, um prejuízo grande, segundo ele. Bem diferente do que o Globo Rural mostrou na safra passada, quando o agricultor conseguiu um rendimento acima da média nacional.
“Aqui foi investido em torno de R$ 1.000 por hectare, acho que não vai ter condição nenhuma de recuperar o que foi investido aqui, eu acho que a perda aqui vai ser quase total”, afirmou.