Arruda repõe o racismo na pauta em sambas que antecedem EP autoral do grupo carioca


♪ No Carnaval de 1988, a escola de samba Mangueira questionou na avenida a eficácia da abolição da escravatura em enredo que gerou um dos melhores sambas de todos os tempos, 100 anos de liberdade – Realidade ou ilusão? (Alvinho, Jurandir e Hélio Turco).
Decorridos 32 anos daquele enredo histórico, a questão é reposta na pauta pelo Arruda, grupo carioca de samba originário da Mangueira, mais precisamente das rodas armadas de 2005 a 2008 na Barraca da Tia Zezé. Falsa liberdade é a sentença cravada pelo Arruda no título do inédito samba apresentado em single lançado na sexta-feira, 2 de outubro.
Samba de autoria de Nego Josy e Júnior Oliveira, Falsa liberdade aponta o racismo enraizado na sociedade brasileira e versa sobre a sofrimento do povo negro diante do preconceito ora velado, ora escancarado. Negritude (Armandinho do Cavaco e Nego Josy), próximo samba inédito a ser lançado em single pelo Arruda, também versa sobre racismo.
Falsa liberdade e Negritude integram e antecedem EP com seis músicas que será lançado pelo grupo ainda em 2020. Destino me deu você (Armandinho do Cavaco e Nego Josy), Guerreiros do bem (Armandinho do Cavaco e Nego Josy), Honrando a raiz (Armandinho do Cavaco e Diego Cabral) e Pra matar preconceito (Raul Di Caprio e Manu da Cuíca) são os outros quatro sambas que compõem o repertório do EP essencialmente autoral do Arruda, gravado com produção musical e arranjos de Alessandro Cardoso.
Capa do single ‘Falsa liberdade’, do grupo Arruda
Divulgação
O Arruda é septeto formado atualmente por Anderson Popó (percussão), Armandinho do Cavaco (cavaquinho e bandolim), Fabão Araújo (surdo), Gustavo Palmito (repique de mão), Marcelinho (tan tan), Maria Menezes (voz) e Nego Josy (voz e pandeiro).
Presença assídua nas rodas de samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o Arruda lançou o primeiro álbum em 2014. Além do EP, o grupo aguarda a edição do álbum ao vivo e DVD Flores em vida – Arruda canta Cleber Augusto.
Feito sob direção musical do violonista Alessandro Cardoso, o show com o repertório do compositor Cleber Augusto – integrante do grupo Fundo de Quintal entre 1983 e 2003 – foi gravado ao vivo em 15 de setembro de 2019 em apresentação feita pelo Arruda no palco da Comunidade Samba do samba Maria Zélia na cidade de São Paulo (SP).
Na ocasião, o grupo ainda era um octeto, também integrado pelo violonista Vitor Budoia, músico que participou da gravação do samba Falsa liberdade.