‘Army of the dead’: Zack Snyder reencontra e desconstrói zumbis, gênero no qual iniciou a carreira


Ao G1, diretor fala sobre paixão por zumbis e super-heróis, o que o motiva a buscar novos projetos e o filme que estreia nesta sexta-feira (21). Zack Snyder fala sobre carreira e ‘Army of the dead’
Mesmo antes de começar sua carreira no cinema, enquanto dirigia comerciais para grandes marcas de carros e até clipes musicais, Zack Snyder sempre sustentou seu amor pela fantasia épica. 17 anos depois de seu primeiro filme, o cineasta de 55 anos volta a colocar humanos contra zumbis em “Army of the dead: Invasão em Las Vegas”.
O filme, que estreia nesta sexta-feira (21) na Netflix, retoma sua busca pela desconstrução do gênero dos mortos-vivos comedores de cérebro, ao mesmo tempo em que serve como um respiro em uma carreira marcada por adaptações de quadrinhos.
“Eu meio que fui moldado por um amor pelo cinema e isso não é incomum para alguém que ama filmes enquanto cresce. Também ter um interesse por filmes de super-heróis ou meio que arte ilustrada de fantasia”, diz o diretor em entrevista ao G1. Assista acima.
“É o que eu acho legal. Então, sim, eu sou atraído, e acho que o gênero de zumbi é um lugar legal para trabalhar, porque te dá uma oportunidade para, para mim pelo menos, exercitar esse amor pelo cinema.”
Dave Bautista em ‘Army of the dead: Invasão em Las Vegas’
Clay Enos/Netflix
Fica em Las Vegas
Como o subtítulo em português deixa claro, a história envolve uma equipe de mercenários contratada para invadir uma Las Vegas isolada após um apocalipse zumbi concentrado na cidade.
A ideia é arrombar o cofre de um cassino, que guarda US$ 200 milhões. Parece razoavelmente simples – mas, além de ter de completar a missão antes da explosão de uma bomba nuclear que busca limpar todas as ameaças da região, eles devem enfrentar uma variante mais inteligente e organizada dos mortos-vivos.
Com isso, o filme deixa de lado o suspense e aposta em uma ação mais franca e direta – com todas as marcas da carreira do cineasta, de cenas em câmera lenta a muitos tiros e explosões.
“A forma como eu escolho um projeto é se é um filme que eu quero ver. E a coisa sobre ‘Army’, para mim, foi que eu tinha começado essa conversa com o gênero em ‘Madrugada dos mortos’. Especificamente com a desconstrução de um filme, um filme de zumbi e/ou do gênero de ação, ou gênero de fantasia”, afirma Snyder.
“Acho que ‘Army’, para mim, é um mergulho profundo no gênero, e nas suas motivações, e como ele funciona.”
‘Army of the dead: Invasão em Las Vegas’
Clay Enos/Netflix
De volta à ação
“Army of the dead” também é o primeiro filme sob comando 100% do americano desde “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (2015).
O capítulo seguinte da saga dos heróis da DC, “Liga da Justiça” (2017), passou por uma produção conturbada. Após a morte de sua filha Autumm, Snyder deixou o projeto e quem assumiu foi Joss Whedon, conhecido por dirigir os dois primeiros “Vingadores”.
Recebido por críticas pouco elogiosas da imprensa e do público, o fracasso se transformou em uma campanha de fãs tão grande que resultou no lançamento, em março, de uma versão com quatro horas de duração editada por Snyder – o tal de “Snyder Cut”.
Depois de tantas idas e vindas, é de se entender que Snyder tenha abraçado o mundo em “Army of the dead”. Tanto que, além da direção/produção/roteiro, ele assume pela primeira vez a fotografia do projeto – o que significa controlar diretamente a câmera
“Ele tem uma equipe ótima. Tem uma comitiva ótima. E essa habilidade geral de gerenciamento e de delegar, certo? O Spike Lee uma vez me disse que delegar é tudo. Então algumas coisas ele apenas não quer delegar para outras pessoas”, diz o ator Omari Hardwick (“Power”).
No filme, seu personagem durão e calado forma uma dupla improvável com o arrombador de cofres interpretado por Matthias Schweighöfer (“You are wanted”).
“Zack estava sempre, porque estava atrás da câmera, muito perto. Então, era fácil perguntar para ele, entre tomadas: ‘Você acha que a atuação foi boa? O que achou de Omari e de mim?’. E ele sempre: ‘Ah, foi ótimo. Foi fantástico. Vocês são o melhor casal que eu já dirigi'”, brinca o alemão.
Dave Bautista, OImari Hardwick, Tig Notaro, Samantha Win, Colin Jones, Matthias Schweighöfer, Raúl Castillo e Ana de la Reguera em cena de ‘Army of the dead: Invasão em Las Vegas’
Clay Enos/Netflix