Argentina afirma que não vê alta do dólar com preocupação


Moeda dos EUA atingiu nova máxima no mercado cambial local. Um arco-íris duplo colore o céu sobre o Obelisco de Buenos Aires, na região central da capital da Argentina, no entardecer de domingo (9)
Natacha Pisarenko/AP
O governo da Argentina garantiu nesta quinta-feira (7) que não vê com preocupação, nem prevê inconvenientes, no aumento do preço do dólar, que nesta quinta atingiu uma nova máxima no mercado cambial local.
Dólar fecha em alta nesta quinta e se aproxima de R$ 3,90
“Não vemos ainda causa de preocupação a respeito da taxa de câmbio. Temos uma política cambial que está definida, com as margens de intervenção que tem o Banco Central. Portanto, partindo desse ponto de vista, não estamos vendo inconvenientes”, disse o ministro de Produção e Trabalho, Dante Sica.
O valor da moeda americana era cotado em alta nesta quinta-feira pelo quarto dia consecutivo. Nos bancos e casas de câmbio locais a divisa alcançou hoje um recorde de 43,50 pesos argentinos por unidade.
Analistas associaram o novo aumento do dólar a uma crescente desconfiança por parte dos investidores a respeito do desempenho da economia argentina e do futuro político do país sul-americano, que em outubro realizará eleições presidenciais.
Os últimos indicadores oficiais de atividade, difundidos ontem, revelaram que a produção industrial caiu 10,8% em janeiro em comparação com o mesmo mês de 2018. Com isso, o indicador soma nove meses consecutivos de quedas em termos anualizados.
Em entrevista coletiva após uma reunião do gabinete de governo, Sica comentou nesta quinta-feira que o dado de janeiro é em comparação com um “trimestre do ano passado que foi muito bom”. “É preciso lembrar que no ano passado, a esta altura, estávamos crescendo a taxas de entre 3,5% e 3,8%”, observou o ministro.
Além disso, Sica indicou que a atividade industrial “desacelerou a queda”, pois 13 dos 16 setores que são avaliados “desaceleraram a redução em relação ao mês anterior”.
Sica também destacou que a produção industrial cresceu 4,6% em janeiro em comparação com dezembro, a primeira recuperação mês a mês registrada desde outubro. “Nossa expectativa é que, com esta macroeconomia que começa a se equilibrar, está mais estável e começa a dar sinais de maior consistência, vamos começar a ver uma recuperação da atividade econômica”, afirmou.
Segundo os últimos dados oficiais disponíveis, a atividade econômica do país despencou 7% em dezembro em comparação com o mesmo mês de 2017 e, em 2018, acumulou uma queda de 2,6%, um dos piores resultados dos últimos anos, como consequência de uma crise que explodiu no mercado cambial e contaminou o resto da economia.
A respeito da inflação, Sica admitiu que “talvez” esteja “acima do que estávamos esperando” pelo impacto dos aumentos de tarifas nos serviços públicos e alguns aumentos “sazonais” em alimentos como a carne.
Segundo as últimas estatísticas oficiais disponíveis, em 2018 os preços ao consumidor na Argentina acumularam um aumento de 47,6% e registraram em janeiro um avanço de 2,9% em comparação com dezembro.