Área agrícola cresce 3,3% em dois anos e ocupa 7,6% do território nacional em 2018, diz IBGE


Municípios de Mato Grosso, Maranhão e Pará lideram expansão da agricultura, especialmente da soja, sobre florestas e pastagens. Castanheiras “soltas” em plantação de soja na BR-163, entre Mato Grosso e Pará
Marcelo Brandt/G1
A área agrícola do Brasil cresceu 3,3% entre 2016 e 2018, de acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (26).
O Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra mostra que, desde o início da série histórica da pesquisa, em 2000, a área agrícola cresceu 44,8%, chegando a 664.784 km² em 2018, o equivalente a 7,6% do território nacional, considerando a parte terrestre e marítima do país.
Segundo o IBGE, entre 2000 e 2012, cerca de 20% das novas áreas agrícolas vieram da conversão de pastagem com manejo, mas, a partir de 2012, esse número subiu para 53%.
“De todas as mudanças de cobertura e uso que aconteceram de 2016 a 2018, 16% delas foram conversão de pasto com manejo para área agrícola”, destaca o gerente de Recursos Naturais do IBGE, Fernando Peres.
Segundo o pesquisador do IBGE, a conversão de pastagem com manejo para área agrícola é um método habitual entre os produtores brasileiros.
“Temos observado que a dinâmica de ocupação, tanto em áreas florestais como de Cerrado, segue uma sequência. Primeiro vem a retirada da vegetação nativa, seguida da instalação de pastagens e, depois de alguns anos, a implantação de áreas agrícolas”, explica.
Entre as regiões que se destacam no crescimento de área agrícola estão o nordeste do Mato Grosso, as cidades de Santarém e Paragominas, no Pará, e Imperatriz, no Maranhão, todas regiões com aumento no plantio de soja, afirma Fernando.
O IBGE afirma que a expansão agrícola, no entanto, apresentou um ritmo mais lento que o observado em levantamentos anteriores. O maior crescimento das áreas agrícolas foi verificado entre 2012 e 2014, quando subiu 7%, ao passo que o menor foi entre os anos de 2014 e 2016, com 3,1%.
O estudo também mostra que, em 18 anos, o Brasil perdeu 7,6% de sua vegetação florestal. A área, que era de 4.017.505 km² em 2000, passou a ser de 3.712.058 km² em 2018, equivalente a 42,4% do território.
Já a vegetação campestre, que corresponde às áreas de Cerrado, de Caatinga e dos Pampas, perdeu 10,1% de sua área nesse mesmo período.
Outros destaques:
Crescimento em 2018 da área agrícola como a porção nordeste do Mato Grosso; a região de Santarém (PA), Paragominas (PA) e Imperatriz (MA); o eixo entre os municípios de Campo Grande e Cassilândia (MS); e a região da campanha gaúcha (RS);
Entre 2000 e 2018, houve uma expansão de cerca de 27% nas áreas destinadas às pastagens com manejo, principalmente na borda leste do bioma Amazônia, de 45% da área agrícola e 70% da área de silvicultura;
Entre 2000 e 2012, cerca de 20% das novas áreas agrícolas vieram da conversão de pastagens com manejo, 53% de vegetação nativa (florestal e campestre) e o restante de outras classes de cobertura e uso da terra;
A partir de 2012, observa-se uma alteração na dinâmica, com 53% das novas áreas agrícolas sendo provenientes da conversão de pastagem com manejo, 26% de vegetação nativa (florestal e campestre) e o restante de outras classes de cobertura e uso da terra.
Segundo o IBGE, o Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra é o único estudo de geociências do instituto que tem uma série histórica desde 2000, o que permite a observação da evolução e dos padrões de ocupação do território brasileiro. Ele tem o objetivo de espacializar e quantificar a cobertura da terra, em períodos regulares, a partir do mapeamento sistemático.