App do opositor Navalny desaparece das plataformas no 1º dia das legislativas na Rússia


Aplicativo que indicava alternativa da oposição saiu das lojas do Android, que pertence ao Google, e do iOS, da Apple. Foto com os principais candidatos nas eleições legislativas na Rússia, em 6 de setembro de 2021
Kirill Kudryatsev / AFP
Um aplicativo do opositor detido Alexei Navalny foi retirado nesta sexta-feira (17) das lojas do Android e do iPhone, no primeiro dia das eleições legislativas na Rússia, denunciaram seus aliados.
O app informava quais eram os candidatos bem posicionados nas pesquisas e que deveriam ser apoiados em cada região para derrotar os aspirantes do partido governista Rússia Unida.
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“Hoje (sexta-feira) às 8h, horário russo, Google e Apple suprimiram nosso aplicativo Navalny de suas lojas de aplicativos. Ou seja, cederam à chantagem do Kremlin”, afirmou no aplicativo de mensagens Telegram Leonid Volkov, um dos principais colaboradores do líder opositor.
Correspondentes da agência de notícias AFP comprovaram que o app não aparece mais nas lojas virtuais da Apple e Google, na Rússia e em outros países como a França.
“Suprimir o aplicativo de Navalny das plataformas é um vergonhoso ato de censura política”, escreveu Ivan Zhdanov, diretor do Fundo de Luta Contra a Corrupção, organização fundada por Navalny, no Twitter.
Zhdanov publicou nas redes sociais um trecho do que seria um e-mail da Apple informando sobre a remoção. A empresa afirma que atendeu uma demanda da procuradoria-geral da Rússia que classifica as atividades da organização de Navalny como “extremistas”.
As companhias ainda não comentaram o caso para a imprensa.
A Rússia havia acusado Google e Apple de se recusarem a suprimir conteúdo considerado ilegal e durante a semana convocou os diretores das empresas para uma audiência em uma comissão parlamentar, o Conselho da Federação.
“Temos todo o Estado russo contra nós, assim como as grandes empresas de tecnologia, mas isso não significa que vamos ceder”, afirmou a equipe de Navalny no Telegram.
Quase 108 milhões de russos estão registrados para votar entre 17 e 19 de setembro para escolher os 450 representantes da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento.
A maioria dos candidatos mais críticos a Putin não foi autorizada a disputar a eleição, em um pleito que acontece após meses de repressão contra a oposição.
Em muitos casos, os candidatos que Navalny e sua equipe consideram que devem ser apoiados são comunistas.
Em janeiro, Navalny foi detido quando retornou à Rússia depois de receber tratamento na Alemanha por um envenenamento, que ele atribui ao Kremlin.
Desde então, seu movimento foi proibido no país por ser considerado “extremista” e vários de seus aliados foram obrigados a partir para o exílio, foram detidos ou tiveram as candidaturas vetadas.