Apenas 0,3% dos profissionais da educação estão totalmente imunizados contra a Covid-19 em Fortaleza


Previsão é de retorno de aulas presenciais híbridas em agosto, na rede estadual, e em setembro, na rede municipal. Ceará quer adiantar segunda dose dos trabalhadores da área. Dados são do Vacinômetro. Meta para vacinação de professores em Fortaleza não foi atingida ainda nem na aplicação da dose 1.
Fabiane de Paula/SVM
Em meio à discussão sobre o retorno das atividades presenciais das instituições de ensino em todo o Brasil, apenas 0,3% dos trabalhadores da educação básica e superior receberam as duas doses (ou dose única) das vacinas contra a Covid-19 na capital. Os dados são do Vacinômetro, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), cuja última atuação ocorreu às 17h de quarta-feira (21).
Os dados do Vacinômetro são fornecidos pelas próprias secretarias municipais da saúde e repassados diariamente à Sesa. Os registros são dados agregados e coletados pela Secretaria estadual por meio de formulário eletrônico próprio. Eles se referem a números de dois dias antes.
Volta às aulas presenciais: como será o 2º semestre nas escolas de Fortaleza
O assunto do entrou novamente em debate com a proximidade do retorno do semestre letivo, marcado em muitos estados para o mês de agosto, e após o pronunciamento, nesta terça-feira (20), do Ministro da Educação, Milton Ribeiro, que defendeu a retomada das aulas presenciais em todo o país.
Em decorrência da pandemia, a volta às aulas presenciais em Fortaleza ocorrerá com restrições de 50% da capacidade das turmas e oferecimento do ensino híbrido ou remoto para que pais e responsáveis possam escolher entre os dois, segundo o decreto vigente na capital.
A baixa aplicação do reforço da vacina em professores e demais profissionais da educação na capital cearense ocorre a menos de duas semanas do início do segundo semestre do ano letivo.
A Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) estima que as aulas híbridas de instituições públicas do estaduais devem ser retomadas em agosto; já a Secretaria Municipal da Educação (SME) de Fortaleza prevê que a educação infantil e o ensino fundamental públicos devem retomar atividades presenciais em setembro.
O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Ceará (Sinepe-CE) já confirmou o retorno das aulas em formato híbrido para o mês de agosto.
Meta para 1ª dose não foi atingida
A cidade começou a vacinação dos trabalhadores da educação em maio, com imunizantes que estabelecem até 90 dias para a aplicação da segunda dose para garantir a imunização contra o novo coronavírus. Contudo, nem a meta considerada para a primeira dose neste público foi atingida.
Professores e demais trabalhadores da educação são vacinados desde maio em Fortaleza.
Helene Santos/Governo do Ceará
Conforme o Vacinômetro, a meta da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) é vacinar 60.437 trabalhadores da educação. Até segunda, haviam recebido os imunizantes 51.551 profissionais, cerca de 85% do total.
Quando se observa a imunização completa — que compreende os profissionais que já receberam as duas doses das vacinas ou a dose única da Janssen —, apenas 196 pessoas estão nessa situação. Conforme a SMS, os profissionais que já foram vacinados com a dose dois completaram o período para aplicação do reforço. Segundo a pasta, em Fortaleza, nenhum grupo teve sua vacinação adiantada.
Sindicato cobra antecipação da 2ª dose
Para o presidente do Sindicato dos Professores e Servidores da Educação e Cultura do Estado e Municípios do Ceará (Apeoc), Anízio Melo, há uma discussão entre as entidades de classe e a Secretaria da Educação do Ceará para o retorno híbrido das atividades. Um dos cernes principais do debate é a antecipação da segunda dose dos trabalhadores da área.
“Vamos cobrar dos governos que antecipem a segunda vacinação de todos os profissionais da educação, que possamos avançar nessa etapa, [além da] garantia dos materiais de proteção individual, a testagem e que o retorno ao segundo semestre possa ser feito na ótica da transição do ensino virtual, dentro do ensino híbrido”, disse Anízio.
Segundo ele, ainda será necessária a participação da comunidade escolar e a autonomia das escolas. “As comunidades escolares vão verificar a situação pandêmica, de estrutura dos prédios e a vontade de estudantes e professores, já que, para nós, é preciso garantir a facultatividade”, ressaltou.
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