Aos 80 anos, Sérgio Reis refaz o caminho caipira ao relançar álbuns e coletâneas


Editados entre 1973 e 2000, 21 títulos da discografia do cantor sertanejo são postos nas plataformas de áudio com gravações da fase áurea do artista. ♪ Paulistano descendente de italianos, nascido em 23 de junho de 1940, Sérgio Bavini tentou convencer no papel de roqueiro quando deu os primeiros passos na carreira em 1958 com o pseudônimo de Johnny Johnson. Mais tarde, em 1966, o cantor e compositor fez Coração de papel – música de autoria própria – bater com força nas playlists do reino da Jovem Guarda.
Na ocasião, ele já usava o nome artístico, Sérgio Reis, que adotara quando gravou o primeiro disco em 1961. E foi como Sérgio Reis que, após o fim do reinado da Jovem Guarda, o artista cruzou porteiras mercadológicas para trilhar a estrada sertaneja a partir de 1973 em rota desincentivada pelos diretores da gravadora RCA-Victor.
É essa fase da discografia do cantor que está sendo relançada em edição digital como parte da celebração dos 80 anos completados pelo artista na terça-feira, 23 de junho de 2020. Nada menos do que 21 títulos da obra fonográfica de Sérgio Reis chegam simultaneamente às plataformas de áudio.
São 16 álbuns lançados entre 1973 e 2000 que, somados às cinco coletâneas editadas entre 1977 e 1984, totalizam os 21 títulos revitalizados em edições digitais.
Os álbuns Sérgio Reis (1973), João de Barro (1974), Saudade de minha terra (1975), Retrato do meu sertão (1976), O menino da porteira (1977), Mágoa de boiadeiro (1978), Natureza (1978), Sérgio Reis (1979), O lobo da estrada (1980), Boiadeiro errante (1981), A sanfona do menino (1982), Sérgio Reis (1984), Sérgio Reis (1985), Sérgio Reis (1987), Sérgio Reis (1988) e o desgarrado A volta da Asa Branca (2000) constituem o suprassumo da fase áurea da discografia caipira do artista.
Sérgio Reis também tem relançadas cinco coletâneas com sucessos da fase sertaneja da discografia do cantor
Eduardo Galeno / Divulgação
Lançados originalmente pela gravadora RCA-Victor / BMG-Ariola, esses álbuns mostram o caminho sertanejo seguido pelo cantor em mudança que obteve a adesão do público quando Sérgio Reis sentiu o faro do sucesso da música O menino da porteira (Teddy Vieira e Luís Raimundo, 1955) no interior do Brasil e decidiu regravar em LP de 1973 o sucesso da dupla Luisinho & Limeira. Foi o hit do disco!
No início dessa caminhada, Sérgio Reis deu voz a sucessos do cancioneiro interiorano do Brasil com toques de country e folk, em gravações que já sinalizaram a progressiva eletrificação do gênero.
À medida em que se consolidou no universo sertanejo, o cantor foi aderindo aos modismos do gênero, sem jamais descaracterizar a imagem que adotou, figura evocativa tanto dos vaqueiros quanto dos peões do sertão brasileiro, com direito a um chapéu de boiadeiro.
A figura sertaneja de Sérgio Reis também ficou cristalizada pelas incursões do artista como ator, intérprete de peões em filmes e em novelas situadas em cenários rurais. E essa conexão soou natural por quem sabe que, antes de encarnar de forma episódica o roqueiro Johnny Johnson, Sérgio Reis tinha sido adolescente conquistado pelo som da viola no início dos anos 1950, efeito da infância vivida em sintonia com os programas de rádio que veiculavam a então hegemônica dupla sertaneja Tonico & Tinoco.
Por essas e outras, o coração de papel de Sérgio Reis logo se desmanchou com o fim da Jovem Guarda…