Ano novo, vida velha!

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<span class="legend_box ">Imagem: Pixabay</span>
<span class="credit_box ">Programa Inova 360</span>
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<p><strong>Por Marcio Bueno</strong></p>
<p>Vamos iniciar um novo ano e, para muitos, inicia-se um novo ano fiscal.</p>
<p>Novos objetivos, e os resultados do ano anterior, já não tem mais valor. Os contadores são zerados e o histórico, por mais positivo que seja, não oferece nenhuma garantia de sucesso futuro, e muito menos de empregabilidade.</p>
<p>Quem realizou e bateu as metas sabe o esforço que teve que fazer dá muito valor a ter sido capaz de cumprir os objetivos em um mundo VUCA (<strong><em>V</em></strong><em>olatility, <strong>U</strong>ncertainty, <strong>C</strong>omplexity and <strong>A</strong>mbiguity</em>). Porém, o outro lado da mesa normalmente considera que a consecução dos objetivos não passa de uma obrigação.</p>
<p>Essa falta de alinhamento entre liderança e colaboradores normalmente levam às discrepâncias. Um lado pensa que se mata para manter a empresa em pé e o outro pensa que “<em>eu te pago muito bem para fazer o seu trabalho</em>”.</p>
<p>O resultado é o mínimo que se espera do lado da empresa e é o máximo que o colaborador pode oferecer.</p>
<p>Começar do zero todo ano é, sem dúvida, algo que gera pressão. São 15 minutos de comemoração por ter batido a meta do ano anterior e 365 dias pela frente para se enfrentar à próxima. E se os objetivos de crescimento do próximo ano são agressivos, mais ainda.</p>
<p>Outro ponto curioso, que a maioria das empresas costumam errar. Os objetivos do próximo ano são baseados no realizado no ano anterior, aplicando a porcentagem de crescimento marcada pela empresa.</p>
<p>Portanto, quem superou a meta no ano anterior é penalizado porque parte de uma base maior para o cálculo da meta do ano seguinte. Quem ficou aquém da meta do ano anterior, se sobreviver na empresa, por este critério, teria uma meta menor no ano seguinte.</p>
<p>De todas formas, os objetivos individuais devem ser mínimos, a tendência é irmos para objetivos coletivos.</p>
<p>Devemos separar pelo que se paga e pelo que se valora um colaborador.</p>
<p>Temos que valorar a contribuição individual ao projeto, o quanto um profissional agrega ao todo.</p>
<p>Contudo, a remuneração deve estar associada ao coletivo, porque objetivos individuais geram uma competição interna, que levada ao extremo, costuma ser nociva, tanto para o grupo quanto para a própria empresa.</p>
<p>Há quinze anos atrás eu participei de uma reunião de vendas de início de ano. A imagem que ficou no telão antes do início do evento foi uma frase de Indira Gandhi que dizia:</p>
<p>“O mundo exige resultados. Não conte aos outros as tuas dores do parto. Mostre seu filho”</p>
<p>Eu havia me tornado um executivo há pouco tempo e, até então, havia aprendido que realmente era assim que tinha que ser.</p>
<p>Não havia desculpas para não bater as metas.</p>
<p>Não importa o que a minha equipe dissesse, pior ainda, qualquer coisa que minha equipe de vendas falasse eu consideraria uma desculpa.</p>
<p>Nesta época, em meu perfil do LinkedIn eu colocava, com orgulho, que era orientado a objetivos.</p>
<p><strong><em>E qual o problema em ser orientado a objetivos?</em></strong></p>
<p>Absolutamente nenhum, muito pelo contrário.</p>
<p>É fundamental ter um norte para se guiar.</p>
<p>O problema normalmente está no limite que é imposto por quem define o objetivo e por quem o realiza.</p>
<p>A falta de objetivos leva uma empresa à estagnação e provavelmente à morte.</p>
<p>Por outro lado, objetivos excessivamente agressivos podem desencadear um comportamento inadequado.</p>
<p>Todo mundo é bom quando as coisas vão bem. Entretanto, quando o objetivo está longe de ser batido surge a pressão, e é neste momento que vemos o caráter das pessoas.</p>
<p>Oscar Wilde disse que:</p>
<p><em>“<strong>Ética</strong> é o que fazemos quando todos estão olhando. O que fazemos quando ninguém vê, chama-se <strong>caráter</strong>.”</em></p>
<p>Se governança não garante ética, como vimos no artigo de mesmo nome, quem dirá caráter.</p>
<p>A cultura da empresa deve mostrar a importância dos objetivos, porém, deixar claro que não vale tudo para alcança-los.</p>
<p>Coincidentemente o mesmo executivo que colocou a frase da Indira Gandhi no <em>kickoff</em>, fazia algumas coisas, que hoje, considero bem inadequadas. Um dos objetivos que a equipe de liderança tinha, além de EBITDA, era o de caixa. Então, no final de cada trimestre, se bloqueava todos os pagamentos a fornecedores, mas se negociava com eles pagar juros pelo atraso. Nossa empresa ganhava menos dinheiro, mas como juros vai abaixo do EBITDA, não afetava nossos objetivos e bônus.</p>
<p>Quando me refiro que, em momentos de pressão é que conhecemos o caráter das pessoas, uma das situações que me marcou muito foi quando fui escalado por um diretor de um fabricante de tecnologia, empresa parceira.</p>
<p>Eu recebi uma ligação do Vice-Presidente de Hardware me pedindo para processar um pedido urgente de um projeto que havíamos fechado.</p>
<p>Eu disse que a minha equipe já estava cuidando disso e ele insistiu.</p>
<p>Me pediu para mudar o fornecedor que estávamos usando porque ele precisava do pedido naquele dia.</p>
<p>Eu disse que iria olhar o que estava acontecendo e retornaria em seguida.</p>
<p>Chamei o meu diretor de produtos e me informei.</p>
<p>A questão era a seguinte, era sexta-feira, no dia anterior havia sido feriado, e o responsável pelo nosso projeto no fornecedor aproveitou e emendou o feriado.</p>
<p>Nós havíamos enviado o pedido, porém ele não processou o pedido no fabricante.</p>
<p>O fabricante queria que eu cancelasse o pedido do meu fornecedor e comprasse em outro.</p>
<p>Eu me neguei, retornei à ligação e disse que não faríamos isso.</p>
<p>Por quê?</p>
<p>Porque este fornecedor nos apoiou em fase de pré-venda e nos emprestou um equipamento para fazer uma prova de conceito no cliente.</p>
<p>Não era fechamento de trimestre.</p>
<p>Não era fechamento de ano fiscal.</p>
<p>Eu não traio os meus parceiros de negócio.</p>
<p>Vamos abandonar velhas práticas que nos trouxeram até aqui como sociedade.</p>
<p>Devemos trabalhar com tensão, não relaxar em relação aos objetivos, agora, pressão… tem limites.</p>
<p>Quais?</p>
<p>O primeiro, o da ética.</p>
<p>O segundo, o do caráter.</p>
<p>Ano novo, práticas novas!</p>
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<p><strong>Marcio Bueno</strong> assina a coluna “Tecno-Humanização”, no Inova360, parceiro do portal R7. É Tecno-Humanista, fundador da BE&amp;SK (<a href="http://www.bensk.net" target="_blank">www.bensk.net</a>) e criador do conceito de Tecno-Humanização.</p>
<p><a href="mailto:marciobueno@bensk.net" target="_blank">marciobueno@bensk.net</a></p>
<p><a href="http://linkedin.com/in/marcio-luiz-bueno-de-melo-%E2%88%B4-94a7066" target="_blank">linkedin.com/in/marcio-luiz-bueno-de-melo-∴-94a7066</a></p>
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