Amigos criam ‘vaquinha’ para ajudar jovem amazonense a prestar vestibular da Fuvest em SP


Faltando um dia para a realização da prova, Cristian Lopes Guerra ainda tenta arrecadar o valor das passagens para embarcar em um voo rumo à capital paulista e realizar o vestibular da Universidade de São Paulo (USP), que acontece neste domingo (10). O estudante sonha em cursar medicina, mas não tem recursos para viajar e fazer o exame. O estudante pretende arrecadar R$ 2.300 para viajar para São Paulo.
Arquivo pessoal/ Cristian Lopes Guerra
“De malas prontas e esperando por um milagre”, assim está Cristian Lopes Guerra, de 23 anos, estudante e morador da capital do Amazonas, que sonha em cursar medicina. Ele e um grupo de amigos fizeram uma vaquinha virtual nesta sexta-feira (8) para arrecadar o valor necessário da passagem e o rapaz conseguir prestar o vestibular da Fuvest. A prova ocorre neste domingo (10) em São Paulo.
Até a manhã deste sábado (9), Cristian tinha conseguido apenas R$ 1.700 dos R$ 2.300 necessários para comprar uma passagem de última hora para a capital paulista.
Veja aqui como doar para a vaquinha de Cristian
“Quero seguir meu sonho, sempre quis ser médico para fazer o melhor para mim mesmo e para outras pessoas. Por um tempo cursei engenharia elétrica, por ser o sonho dos meus pais, mas desde 2018 abandonei o curso e venho tentando entrar em medicina”, afirma Cristian.
“Sonho em me tornar médico para contribuir com a sociedade. Infelizmente ainda vivemos uma realidade que quem passa em medicina não é um cara pobre, é quem está sendo preparado pelos melhores lugares do país, é um curso de elite”, completa.
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O jovem conta que tentou juntar dinheiro para viajar, mas com a pandemia e diversos problemas financeiros não conseguiu guardar o valor suficiente para as passagens: “Eu já tinha desistido da ideia e tinha começado a me preparar para o próximo vestibular, mas meus amigos me apoiaram e não me deixaram desistir”.
A ideia da vaquinha foi da estudante Danielle Tamiris da Silva, de 21 anos, que mora em São Paulo. Ela conheceu Cristian no ano de 2020, em um grupo de doação de livros. A partir disso, os dois se tornaram amigos e passaram a estudar juntos virtualmente.
“Sei bem o quanto é difícil essa jornada e quando ele me contou que tinha desistido acabou com o meu dia. Eu acredito no Cristian e quero que ele tenha a mesma oportunidade que eu. Mostrar que quem não tem grana também deve seguir atrás dos seus sonhos”, afirma Danielle.
Se tudo der certo, Cristian vai ficar hospedado na casa de Danielle até o fim do vestibular. Depois da prova, o rapaz volta para o Amazonas.
Segunda tentativa
Cristian vai tentar o curso de medicina pela terceira vez. Ele prestou vestibular em 2019, no entanto, não conseguiu a nota de corte necessária para entrar no curso.
“Não estava tão bem preparado, apesar de ter estudado bastante, eu não conhecia a estrutura da prova. Esse ano foquei totalmente no vestibular de universidades específicas, então acredito que tenho mais chances. Mas dependo de um milagre para conseguir o valor até este sábado”.
Ele também se inscreveu para a prova da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas pela falta de dinheiro não conseguiu comparecer às provas, que aconteceram nesta quarta-feira (6).
“Mesmo se não conseguir passar, vou ter orgulho da minha trajetória durante o ano, do quanto me esforcei e vou tentar de novo. O mais importante é persistir e nada vai me fazer desistir”.
A amiga que criou a vaquinha e ofereceu a casa dela para o amazonense se abrigar até fim das provas de segunda fase conta que “as pessoas não deviam ser privadas de seus sonhos por falta de recursos”.
“Ele é muito inteligente. Sabemos que as oportunidades, infelizmente, não são as mesmas para todos e, apesar de ter conseguido a isenção para prestar a Fuvest, por falta de recursos o Cristian não conseguiu comprar uma passagem de ônibus ou avião para vir para São Paulo. Esse tipo de situação parte meu coração e é por isso que decidimos nos mobilizar e conseguir o dinheiro da passagem para que ele venha até amanhã para São Paulo. As pessoas não deviam ser privadas de seus sonhos por falta de recursos”, afirma Danielle Tamiris.
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