Amazônia teve 1.359 km² sob alerta de desmatamento em agosto, mostram dados do Inpe


Cerrado teve 189 km² de área sob alerta. Agosto marca o início da temporada de medições de desmatamento nos biomas brasileiros. Vista aérea mostra gado pastando em área desmatada da Amazônia próxima a Porto Velho, no dia 14 de agosto.
Ueslei Marcelino/Reuters
A Amazônia Legal teve uma área de 1.359 km² sob alerta de desmatamento em agosto, mostram dados desta sexta-feira (11) do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. O Cerrado teve 189 km² de área sob alerta.
Os alertas foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).
O sistema aponta áreas com marcas de devastação que precisam ser fiscalizadas pelo Ibama, e não as taxas oficiais de desmatamento (veja detalhes mais abaixo nesta reportagem).
A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão. A maior parte da área desmatada da floresta em agosto foi no Pará (veja gráfico).
Os municípios que mais desmataram foram:
Porto Velho: 96,79 km²
São Félix do Xingu (PA): 73,31 km²
Altamira (PA): 72,69 km²
Lábrea (AM): 57,99 km²
Novo Progresso (PA): 40,94 km²
Itaituba (PA): 40,53 km²
Colniza (MT): 35,14 km²
Pacajá (PA): 25,15 km²
Cujubim (RO): 24,73 km²
Portel (PA): 24,55 km²
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Temporada
Incêndios na Amazônia: Moradora olha enquanto fogo se aproxima de sua casa perto de Porto Velho, no dia 16 de agosto.
Ueslei Marcelino/Reuters
Agosto marca o início da temporada de medições de desmatamento nos biomas brasileiros; as medições são feitas até julho do ano seguinte. Desta forma, é possível detectar o acumulado de destruição da Amazônia levando em conta os ciclos de chuva e seca e de desmatamento e queimadas.
O monitoramento do Deter para a temporada 2019-2020 mostrou cerca de 35% de aumento na área em risco da Amazônia em relação ao ano anterior. (Inicialmente, os dados apontavam 9.205 km² de desmatamento; depois, foram atualizados para 9.216 km²).
No Cerrado, a temporada de 2019-20 registrou uma queda no desmatamento em comparação ao ano anterior, de cerca de 32%: foram 4.138 km² desmatados contra 6.049 km² em 2018-19. Em 2017-18, o número ficou em 4.763 km².
Por causa da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e da resolução espacial (tamanho mínimo da área imageada pelo sensor), o Inpe não recomenda comparar dados de meses e anos diferentes medidos pelo Deter.
Deter x Prodes
Vista aérea de área queimada na Amazônia, perto de Apuí, no Amazonas, no dia 11 de agosto.
Ueslei Marcelino/Reuters
Os alertas do Deter não representam, entretanto, a taxa oficial de desmatamento considerada pelo governo – essa é medida por outro sistema do Inpe, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), que trabalha com imagens de melhor resolução espacial.
A taxa oficial é divulgada uma vez por ano, e considera os números de agosto de um ano a julho do ano seguinte; os dados de 2019-2020 ainda não foram divulgados, mas, no ano passado, a taxa oficial foi 42% maior do que apontavam os satélites do Deter. Os números do Prodes costumam ser, historicamente, maiores do que os do Deter.
No mês passado, o diretor-executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), André Guimarães, alertou que o desmatamento nesta temporada (2020-21) poderá ser o maior em mais de 10 anos. O último recorde na taxa oficial de desmatamento foi em 2008, quando, segundo o Prodes, houve 12.911 km² da Amazônia sob alerta de desmatamento.
“Como o Deter subestima os dados do Prodes em cerca de 50%, estimamos que o número real ultrapasse o dos último anos e atinja uma taxa que não é vista há mais de uma década”, afirmou Guimarães.
Queimadas
Incêndio é visto na Floresta Amazônica no distrito de Janaucá, em Careiro Castanho, a 113 km de Manaus, no dia 4 de agosto.
Chico Batata/AFP
O desmatamento e as queimadas estão relacionados. O fogo é parte da estratégia de “limpeza” do solo que foi desmatado para posteriormente ser usado na pecuária ou no plantio. É o chamado “ciclo de desmatamento da Amazônia”.
Em agosto, os incêndios na Amazônia superaram, mais uma vez, a média histórica: foram 29.307 registros de queimadas de 1º a 31. Em julho, houve 28% mais focos na floresta do que em julho de 2019. No mesmo mês, a floresta também teve um recorde diário de focos de calor: foram mais de mil registros no dia 30. Segundo o Ipam, 71% das queimadas em imóveis rurais na região ocorreram para manejo agropecuário.
O Pantanal também registrou recorde nos incêndios: julho foi o mês com mais focos desde o início das medições feitas pelo Inpe, em 1998. Em agosto, o bioma também viu o segundo maior número de queimadas para o mês em sua história: 5.935 focos de calor detectados de 1º a 31 de agosto.
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