Almério expõe naufrágio do Brasil na capa de single em que canta Cazuza com Ney Matogrosso


♪ Rock que caiu no samba ao ser propagado em 1988 na voz afiada de Gal Costa, como tema de abertura da novela Vale tudo (TV Globo), Brasil traz uma das letras mais corrosivas do cancioneiro do cantor e compositor carioca Cazuza (1958 – 1990) ao retratar o país, então afundado no mar enlameado da corrupção.
Em sintonia com o espírito de contestação da composição, a capa do single que Almério lança no domingo, 4 de abril – dia em que Cazuza completaria 63 anos de vida – expõe o naufrágio do Brasil em 2021, ano em que o país virou o epicentro da pandemia de covid-19, enfrentando, além da grave questão sanitária, aguda crise política e econômica.
É do fotógrafo Jorge Bispo a concepção e a imagem da capa do single Brasil, primeira amostra do álbum Tudo é amor – Almério canta Cazuza. Almério gravou Brasil – composição assinada por Cazuza em parceria com George Israel e Nilo Romero – em dueto com Ney Matogrosso.
Almério e Ney Matogrosso no estúdio da gravadora Biscoito Fino, onde foi captada a voz de Ney para a faixa ‘Brasil’
Ana Migliari / Divulgação
Gravado entre novembro e dezembro de 2020 no estúdio paulistano Space Blues, com produção musical feita por Pupillo Oliveira sob direção artística de Marcus Preto, o álbum Tudo é amor – Almério canta Cazuza tem lançamento previsto para maio pela gravadora Biscoito Fino, em cujo estúdio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a voz de Ney foi captada em março para a faixa Brasil.
Selecionado por Preto e Almério com André Brasileiro (empresário do cantor) e com Ione Costa, idealizadora do disco, o repertório de Tudo é amor é composto por onze músicas e inclui Amor amor (Cazuza, Roberto Frejat e George Israel, 1984), tema da trilha sonora do filme Bete balanço (1984) previsto para ser o segundo single do álbum.
A música-título Tudo é amor é parceria de Cazuza com Laura Finocchiaro, lançada por Ney Matogrosso no mesmo ano de Brasil, em gravação feita para o álbum Quem não vive tem medo da morte (1988).