Alertas de desmatamento permanecem altos e ‘inaceitáveis’, dizem entidades ambientais


De agosto de 2020 até o dia 30 de julho deste ano, houve alerta de desmatamento de 8.712 km² de área da floresta. É a segunda pior temporada em cinco anos. Sob governo Bolsonaro, desmatamento e queimadas na Amazônia aumentaram
Reuters
Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o acumulado de alertas de desmatamento na temporada 2020-2021 teve uma 5% em comparação com a temporada anterior. Entretanto, essa diminuição não deve ser motivo de comemoração.
“Apesar da redução entre um ano e outro de 5%, seguimos em níveis altíssimos de desmatamento na Amazônia”, afirma o diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães.
A temporada 2021, que vai de agosto de 2020 a julho de 2021, foi a segunda pior em cinco anos, atrás apenas do ano passado. Já o primeiro semestre de 2021 teve a maior área sob alerta de desmatamento em seis anos. Foram 3.609 km² entre 1º de janeiro e 30 de junho (mais de 2 cidades de São Paulo), índice superior ao dos anos anteriores.
“Os dados confirmam a tendência dos meses anteriores: os alertas de desmatamento na Amazônia permanecem em patamares inaceitáveis”, diz o Greenpeace.
“É a segunda maior cifra da série iniciada em 2016, perdendo apenas para o ano passado. Os três recordes da série foram batidos no governo Bolsonaro, no qual os alertas são 69,8% maiores que a média dos anos anteriores”, alerta o Observatório do Clima.
“Estamos em um momento crucial para o equilíbrio climático do planeta, e manter as florestas é a principal contribuição que o Brasil pode dar neste momento a esse desafio global”, completa Guimarães.
Redução de 10% não foi cumprida
O vice-presidente Hamilton Mourão declarou, em julho, que desejava reduzir em 10% a taxa anual de desmatamento. Na segunda-feira (2), ele recuou e afirmou que a meta não seria cumprida, mas que a queda representaria um “caminho andado” na preservação da floresta.
“Nem mesmo o general Hamilton Mourão, comandante do Conselho da Amazônia, conseguiu comemorar o recuo de 5,4% na área de alertas em relação a 2020. Há poucas semanas ele havia prometido à imprensa que o desmatamento cairia 10% e na segunda-feira (2) declarou que não cumpriria a meta. No ano passado, a embaixadores estrangeiros, foi ainda mais otimista: prometeu 15% de queda”, disse o Observatório do Clima.
Além de não cumprir a meta, o PL 2633/2020, que amplia regularização de terras públicas sem vistoria, foi aprovado nesta semana na Câmara dos Deputados.
“Se o Senado aprovar o PL da Grilagem, estará estimulando o desmatamento de áreas extremamente estratégicas para enfrentar a crise do clima e contribuirá ativamente para o colapso da Amazônia, seguindo na direção oposta dos esforços necessários globalmente para a redução de emissões de gases do efeito estufa”, comenta Cristiane Mazzetti, Gestora Ambiental do Greenpeace Brasil.
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Controle do desmatamento
Para o Observatório do Clima, o Brasil não tem uma política de controle do desmatamento. “O plano de controle do desmatamento criado em 2004 foi abandonado”, alerta a organização.
O OC lembra que o governo paralisou o fundo Amazônia e travou a cobrança de multas ambientais do país. “A ‘foice no Ibama’ ordenada por Bolsonaro no começo de seu mandato derrubou pela metade as multas por crimes contra a flora na Amazônia em relação a 2018, último ano antes do início da atual gestão.”
“O destino da floresta está nas mãos das quadrilhas de grileiros, madeireiros ilegais e garimpeiros. Hoje, são eles que determinam qual será o dado oficial de desmatamento. Na Amazônia, o crime ambiental atua livremente, e conta com a parceria do atual governo”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
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