Álbuns de Céu e Jão saem em CD meses após o lançamento


Edições tardias sinalizam a pouca importância do formato no mercado de disco e a falta de lógica na escolha do que deve (ou não) ser disponibilizado em mídia física. ♪ ANÁLISE – Dois álbuns de artistas importantes no universo pop brasileiro ganham edições em CD programadas para chegar às lojas neste mês de fevereiro de 2020.
Ambos são discos lançados em 2019. O quinto álbum de estúdio de Céu, APKÁ, aportou nas plataformas de áudio em 13 de setembro. Anti-herói, segundo álbum de Jão, veio ao mundo digital em 10 de outubro.
O fato de esses dois discos – aclamados pelos respectivos públicos dos artistas – estarem sendo lançados em CD meses após o lançamento é mais um entre tantos sinais da queda livre e da pouca importância do formato físico no mercado fonográfico mundial, em especial no Brasil.
Atualmente, CDs são como LPs. Ambos seduzem nichos do mercado, mas já não são determinantes para o sucesso comercial de um disco ou música. O termômetro do sucesso são streamings e visualizações de vídeos.
Capa do segundo álbum de Jão, ‘Anti-herói’, lançado em CD quase quatro meses após a edição digital
Arte de Sergio Cupido
Contudo, a sedução do formato físico resiste. E, dentro desse nicho mercadológico, fica difícil entender os critérios da indústria fonográfica para editar (ou não) um álbum em CD. A mesma gravadora, Universal Music, que ora distribui o CD de Jão nas lojas virtuais e físicas, já lançou em CD o primeiro álbum de Luísa Sonza, Pandora (2019), mas não editou em CD o projeto acústico de Milton Nascimento.
Trata-se de contrassenso, pois Sonza é artista jovem cujo público igualmente jovem já nasceu desapegado do CD. Milton, ao contrário, é artista nascido na era do LP que esteve em plena atividade na era do CD. Desde 1967, a monumental discografia do cantor e compositor foi editada em formato físico.
Seria lógico, portanto, que o público de Milton – apegado ao formato – tivesse a chance de ouvir o acústico do artista em CD ou LP. Mas não teve. Pelo menos por enquanto. Porque falta justamente lógica na escolha dos discos que devem ser (ou não) disponibilizados em mídia física.
Enfim, as atenções do mercado fonográfico já não estão voltadas para as mídias físicas em tendência irreversível. Mesmo as edições em LP, objetos de culto entre consumidores de todas as idades, representam pouco no faturamento global do mercado brasileiro. Isso explica lançamentos tardios com as edições em CD dos álbuns de Céu e Jão.