Água do interior de SP contribuiu para a chegada do homem à Lua

Cópia da nota fiscal que comprova a compra da água brasileira pela Nasa

Cópia da nota fiscal que comprova a compra da água brasileira pela Nasa
Divulgação

Quem acha que apenas os norte-americanos contribuíram para a missão Apollo 11, que levou o homem pela primeira vez à Lua em 1969, está enganado. A água mineral levada ao espaço pelos astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins era brasileira, especificamente da cidade de Lindoia, no interior de São Paulo.

A empresa, então chamada Irmãos Carrieri, atual Lindoya Verão, foi escolhida para hidratar os astronautas durante a missão.

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O ex-funcionário da empresa, Hélio Formagio Tomazi, 76, relembra o momento em que embalou as águas que tinham como destino a Lua. “Na hora, a empresa não disse nada, os funcionários não sabiam do ocorrido. Apenas depois que terminamos o trabalho, eles disseram que a água ia para Lua, mas ninguém acreditou naquele momento”, afirma.

A cópia da nota fiscal confirma o pedido de 100 dúzias de garrafas de água de meio litro para a Missão M. Americana, EUA, no valor de NCr$ 226, Cruzeiro Novo, moeda brasileira da época. 

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A distribuição da água até a agência espacial norte-americana ficou por conta da extinta Distribuidora Cervejaria Amazonas, localizada no Rio de Janeiro. As 100 garrafas de vidro e com tampa de alumínio, padrão da época, seguiu destino para a Nasa e, logo após, para o espaço, junto com os primeiros homens que pisaram na Lua. Neil Armstrong e Buzz Aldrin desembarcaram no satélite em 20 de julho de 1969, há exatos 50 anos. 

Garrafa que foi enviada à Lua na missão Apollo 11

Garrafa que foi enviada à Lua na missão Apollo 11

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Por que a Nasa escolheu a água paulista?

A água mineral de Lindoia foi objeto de estudo da cientista Marie Curie em 1926. A mulher mais importante da história da ciência esteve no Brasil atraída pela fama das águas radioativas de Lindoia – a química, que descobriu a radioatividade, recebeu dois prêmios Nobel, sendo a primeira mulher a ser laureada com o prêmio e única pessoa a ganhá-lo duas vezes. 

Ela foi à cidade do interior de São Paulo a convite do então prefeito, o médico Francisco Tozzi. A cientista constatou que a água tinha benefícios terapêuticos e que eles provinham da fonte São Sebastião. Depois desse estudo, a Nasa teria considerado a água mineral paulista a mais adequada para os astronautas.

Segundo o diretor geral da empresa, Cesar Dib, a água que foi à Lua “contém baixa concentração de sais, PH neutro e nutrição rica em cálcio e magnésio. Por ter uma grande quantidade de oxigênio e ser a mais pura, foi considerada perfeita para a missão Apollo 11”.

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Ao recordar do fato histórico, o ex-funcionário Hélio afirma que não pôde assistir à chegada do homem à Lua, pois na época não haviam muitos televisores na cidade de Lindoia. Mas, mesmo assim, ele ressalta que o episódio foi um marco na sua história. Conta até hoje para filhos e netos e que, às vezes, nem os próprios acreditam.

*Estagiária do R7, sob supervisão da Deborah Giannini