Adriana Calcanhotto inclui música inédita na única apresentação do show ‘Só’


Cantora volta à cena em setembro com espetáculo virtual de ‘cores fortes’, inspirado pelo disco lançado em maio com nove composições feitas durante o isolamento social. ♪ A pandemia do covid-19 fez Adriana Calcanhotto permanecer no Brasil em 2020 em vez de partir para Portugal – como planejado – para retomar o ofício de professora de Letras em universidade de Coimbra.
Em isolamento social, a cantora compôs, gravou e mixou em 43 dias – em período que foi de 27 de março a 8 de maio – as nove músicas que formam o repertório inteiramente autoral do álbum emergencial intitulado Só e lançado em 29 de maio.
Uma décima musica foi criada nesse período, mas ficou com Maria Bethânia. E uma décima-primeira, composta neste mês de agosto, será apresentada pela cantora no inédito show Só.
Sim, Calcanhotto vai entrar em cena – às 21h de 5 de setembro, no palco do Teatro Riachuelo, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) – para estrear o show baseado no disco Só.
Em tese, haverá somente uma única apresentação virtual do show Só dentro do projeto Teatro Riachuelo de palco aberto com ingressos a R$ 20. E com o detalhe de que será um show propriamente dito, com transmissão online e com estética criada para o palco, e não uma live.
Adriana Calcanhotto faz apresentação online do show ‘Só’ em 5 de setembro, no palco do Teatro Riachuelo
Leo Aversa / Divulgação
♪ Em nota sobre a estreia do show Só, Adriana Calcanhotto promete apresentação de “cores fortes” e explica a concepção do espetáculo virtual. Com a palavra, a artista:
“Recebi um convite do Teatro Riachuelo para fazer um show sem público transmitido pela internet. Andei fazendo algumas lives e descobri essa novidade que é fazer show em casa para as pessoas em casa e gostei muito. A data, 5 de setembro, considerei tempo suficiente para não me sentir quebrando a quarentena e botando pra trabalhar um bocado de gente junta antes de momento razoavelmente adequado, (já que) aqui no Rio os números vêm caindo. O que adorei, no entanto, foi a possibilidade de pisar no palco, cheirar as cortinas, me perder pelos bastidores.
Daí que vou ao belo e bem tratado Teatro Riachuelo, que já foi o Cine Palácio, cantar para uma plateia que estará cheia, mas não ali. Nas passagens de som, principalmente dos meus shows de voz e violão, com o teatro vazio, vivi momentos intensos nas diferentes acústicas, gosto muito de cantar na sala vazia, vai ser bom partilhar esse prazer. Então, cantarei somente o repertório do meu álbum Só (teremos intérprete de Libras), em formato solo, tocando MPC, violão, guitarra e máquina de escrever e vou fazer uma canção inédita, que escrevi agora em agosto.
Como os arranjos do álbum foram feitos com muitas participações e em diferentes cidades do Brasil, nem cogitei uma banda base, também pelos motivos relativos ao isolamento social. Se fôssemos para a estrada seria diferente, acho. E cá pra nós, não vejo minha equipe desde fevereiro, não senti vontade nenhuma de dividi-la com uma banda, que é um tipo de entidade que demanda, quero eles (os integrantes da equipe) “só” pra mim.
A estética do espetáculo tem a ver com cores fortes, com um tipo de “não combinação” de cores fortes, na linha de contrastes que usei na capa do meu primeiro disco, Enguiço. O álbum Só tem toda uma ambientação branca, ele foi feito sobre a influência das ideias de branco de que se falou na Europa no começo da pandemia. A revista italiana Vogue publicou em abril uma capa toda branca, como um manifesto de luz, de razão, de renascimento e ao mesmo tempo uma celebração da medicina e as canções do Só foram escritas sob essa influência. Agora que tenho um pouquinho mais de intimidade com essas canções, que tanta coisa já aconteceu num espaço tão curto de tempo, por algum motivo, para o palco precisei das cores.
Não sei se algum dia eu conceberia um espetáculo como esse, mas a pandemia está nos ensinando a inventar novas formas para tudo e essa é a parte boa, inventemos!
A expectativa é a de show de verdade, dar o máximo e receber de volta o mesmo amor. Uma turnê que começa e termina no mesmo dia, uma estreia e um encerramento, um show novo com canções novas, tudo novo pra mim, mal posso esperar.
Até lá!
Usem máscara.”
Adriana Calcanhotto