Adiar Enem 2021 pode trazer prejuízo de R$ 500 milhões para universidades federais, diz estudo


Exame ainda não tem data marcada. Caso só ocorra em 2022, instituições de ensino podem não conseguir usar as notas da avaliação no processo seletivo – e terão de arcar com os custos de aplicar vestibulares próprios. Alunos entram em escola do Amazonas após abertura dos portões para Enem 2020
Matheus Castro/G1 AM
O adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 para o ano que vem pode fazer com que as universidades federais, que atualmente utilizam a nota da prova para selecionar novos alunos, gastem R$ 500 milhões para a criação de vestibulares próprios.
É o que mostra um estudo divulgado pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil.
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Como o edital do Enem ainda não foi publicado, não se sabe quando a prova será aplicada.
Documentos internos obtidos pelo G1 mostram que a avaliação estava marcada para 16 e 23 de janeiro de 2022 — mas o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirma que são apenas “conversas de bastidores”. Segundo ele, a prova deverá ser feita em “outubro ou novembro” de 2021.
Pela análise do Semesp, marcar o Enem para o ano que vem pode inviabilizar:
o uso da nota da prova no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que aprova alunos para estudarem em universidades públicas;
o ingresso em universidades privadas que usem toda ou parte da nota do Enem em seus processos seletivos;
a implementação das edições de 2021 do Programa Universidade Para Todos (Prouni, que dá bolsas em instituições de ensino privadas) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies, usado no “empréstimo” de dinheiro para o pagamento de mensalidades).
“Considerando todos os ingressos em instituições públicas federais, estaduais e municipais, e também em privadas, incluindo Prouni e Fies, são mais de 1,1 milhão de alunos que ficarão sem aulas [em 2021], aguardando a definição do Enem”, diz Lúcia Teixeira, presidente do Semesp. “Fora estruturas físicas e corpo docente, que ficarão ociosos sem esses alunos.”
Diante disso, neste mês, o Semesp enviou três ofícios ao Inep e aos Ministérios da Educação e da Economia, solicitando o não adiamento do Enem.
O G1 entrou em contato com o Inep para saber a data de publicação do edital da prova, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Enem 2020 já foi adiado
Por causa da pandemia de Covid-19 e pelos riscos de contaminação nas salas de aula, o Enem 2020 foi aplicado em janeiro e fevereiro de 2021.
Com o adiamento, o Prouni e o Fies usaram notas de edições anteriores da prova no processo seletivo, e o Sisu foi transferido para abril, atrasando o início do ano letivo.
A edição foi marcada por problemas logísticos (alunos barrados na sala de prova) e altos índices de abstenção.
Vídeo
Abaixo, assista a um vídeo com dicas de uma candidata que tirou nota mil na redação do Enem 2020:
Redação do Enem em 1 Minuto: jovem que tirou nota mil dá dicas para escrever um bom texto