Adelaide Chiozzo, cantora de voz doce que personificou um Brasil inocente


Morte da artista, aos 88 anos, encerra trajetória que alcançou o auge com discos e filmes da década de 1950. Adelaide Chiozzo na década de 1950
Reprodução da capa da revista ‘Radiolândia’
♪ OBITUÁRIO – Cantora e atriz, além de acordeonista, Adelaide Chiozzo (8 de maio de 1931 – 4 de março de 2020) personificou na cena brasileira a inocência de um Brasil seduzido pelas chanchadas da Atlântida.
Artista paulistana que alcançou o auge artístico na primeira metade da década de 1950, Chiozzo pavimentou trajetória costurada por atuações da estrela na era do rádio, no cinema e na música.
Nessas plataformas, a artista multimídia deu voz a um Brasil mais doce, ingênuo e brejeiro. Basta dizer que o maior sucesso de Adelaide Chiozzo como cantora foi Beijinho doce (Nhô pai, 1951), música que lançou em disco em dueto com Eliana Macedo (1926 – 1990), partner da artista em muitos filmes do gênero chanchada, tão popular quanto minimizado pelas elites culturais.
Cantora que morreu na manhã desta quarta-feira, 4 de março, a dois meses e quatro dias de completar 89 anos, Adelaide Chiozzo também fica para sempre associada ao acordeom, instrumento que aprendeu a tocar ainda na infância, aos oito anos.
Instrumento recorrente no universo nordestino de músicas como Sabiá lá na gaiola (Hervé Cordovil e Mário Vieira, 1950), baião gravado pela artista em 1951, a sanfona acompanhou Adelaide Chiozzo nos filmes, nos discos e nas emissoras de rádio e TV.
Em 1979, quando já vivia fase crepuscular na trajetória artística, a estrela foi projetada para novas gerações ao integrar o elenco da novela Feijão maravilha (TV Globo), inspirada nas chanchadas. Para parte do Brasil, aquele foi o primeiro contato com Adelaide Chiozzo, cantora que havia estreado em disco em 1950, com a edição de 78 RPM com a polca Pedalando (Anselmo Duarte e Bené Nunes) e a rancheira Tempo de criança (João de Sousa e Eli Turquine).
Nessa fase áurea, Adelaide deu voz a baiões como Cabeça inchada (Hervé Cordovil), lançado em 1950 pela rainha do gênero, Carmélia Alves (1923 – 2012), e regravado por Adelaide no ano seguinte.
Com o fim do apogeu da Atlântida e da era do rádio, a cantora e acordeonista passou a sobreviver da evocação do passado glorioso, tendo permanecido em cena até os anos 2010, década em que integrou uma das formações do grupo As cantoras do rádio, criado para reviver as glórias de um tempo em que o Brasil produziu estrelas como Adelaide Chiozzo.