1º radialista a tocar ‘É o Amor’ lamenta morte de Seu Francisco e cita papel do patriarca na carreira de Zezé e Luciano: ‘Fundamental’


Chicão revela que chorou com notícia e relembra quando recebeu fita com a canção que consagrou dupla das mãos de Seu Francisco, em 1991, após pedido de ajuda feito por Zezé. Cena foi retratada em filme. Chicão em foto antiga com a dupla Zezé Di Camargo e Luciano: ele lamentou a morte de Seu Francisco
Arquivo pessoal
Francisco do Anhanguera Kozlowski, ou simplesmente Chicão, de 60 anos, se orgulha de ser o primeiro radialista do Brasil a executar a música “É o Amor”, que fez a carreira de Zezé Di Camargo e Luciano decolar, há quase três décadas. A fita contendo a canção foi entregue a ele por Francisco Camargo, o Seu Francisco, pai da dupla, que morreu após ficar 14 dias internado em um hospital particular de Goiânia.
A morte chocou Chicão. Ele esteve no velório e enterro de Francisco, realizado na terça-feira (24), em um cemitério da capital, e chorou, algo que ele achou que “não ia mais fazer na vida”. Também relata que ganhou um abraço apertado de Zezé.
Morre Francisco Camargo
Zezé Di Camargo toca sanfona e canta ‘É o Amor’ durante velório
O radialista teceu diversos elogios ao patriarca da família Camargo. Disse que Zezé e Luciano tem todos os méritos pelo que conquistaram, mas acredita que a carreira não existiria se não fosse o emprenho de Seu Francisco.
“Ele que batalhou, correu atrás, foi atrás. Não tira o mérito do Zezé e do Luciano, mas ele é a peça fundamental”, afirma.
Francisco de Camargo com filhos Zezé e Luciano
Reprodução/Instagram
O profissional da comunicação afirma que atualmente tinha mais contato com Emanuel Camargo, outro filho de Francisco. Disse que falava em reencontrar o amigo, mas que não houve tempo hábil.
“Eu queria visitá-lo. Eu falava: ‘Emanuel, preciso ver seu pai’. Mas eu falava que estava com gripado, com a imunidade baixa. Fui adiando, adiando e acabei vendo ele ontem, por incrível que pareça”, destaca.
Pedido de ajuda
Chicão conta que conheceu Zezé em 1991, durante um show dele em Bela Vista de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. Na ocasião, recebeu do artista, que estava com a carreira estagnada e ainda cantando sozinho, um pedido de ajuda.
“Depois do show, encontrei com ele em um pit dog da cidade. Ele me disse que estava lançando a dupla com o irmão e pediu para dar uma força na rádio. Eu pedi para ele me mandar uma fita com a música e eu vou tocar lá. Foi quando entrou o Seu Francisco [na história]”, lembra.
Alguns meses depois, Seu Francisco foi até a rádio para deixar a fita. A cena é retratada no filme “2 Filhos de Francisco”, lançado em 2005 e que conta a história dele para tornar os filhos famosos na música.
Ângelo Antonio como Francisco em cena do filme: Chicão é retratado na obra
Divulgação
Fichas
O filme mostra ainda que, após deixar a fita, Seu Francisco teve a ideia de comprar fichas de telefones públicos e dar a amigos da construção civil para ligarem na rádio pedindo a exibição da canção. O que pouca gente saber é que foi Chicão quem sugeriu a ele que desse um “empurrãozinho” para a música ser conhecida.
“Eu comecei a tocar, mas como o pessoal estava pedindo pouco, eu pedi ao Seu Francisco para dar um jeito. Pede aos parentes, aos amigos para tocar. Aí entrou a história da ficha telefônica”, recorda.
Chicão tem mais 40 anos de experiência em rádio, mas está afastado da atividade há 13, após ter sofrido um AVC. Modesto, ele fala sobre o fato de ter papel importante na carreira da dupla.
“É bom saber que a gente fez parte da história”.
Morre Francisco Camargo, pai de Zezé di Camargo e Luciano
Seu Francisco morreu na noite de segunda-feira (23), aos 83 anos, após ficar 14 dias internado no Hospital Órion, em Goiânia. Segundo nota da unidade de saúde, ele faleceu às 23h05 por causa de uma parada cardiorrespiratória e uma “instabilidade hemodinâmica”.
Já Avelino Costa faleceu em 11 de janeiro de 2015, também em Goiânia. Na ocasião, ele estava internado com enfisema pulmonar, por coincidência, um problema de saúde que Seu Francisco também tinha.
Zezé Di Camargo canta e toca sanfona durante velório do pai, Francisco Camargo
Vítor Santana G1
Emoção no enterro
O velório e enterro de Seu Francisco ocorreram na terça-feira (24), no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia. Ao longo da cerimônia, familiares e famosos prestaram as últimas homenagens. A mais marcante delas foi feita por Zezé, que tocou sanfona e cantou a música “É o Amor” na parte final do velório.
Bastante emocionado, Zezé foi amparado pela filha Wanessa e pelo irmão Wellington. Diante da situação, os cantores Di Paullo e Paulino seguiram com a homenagem. Luciano, que mora em São Paulo, testou positivo para Covid-19 e está em isolamento em casa. Por isso, não compareceu à cerimônia.
Dona Helena só soube da morte quase 12 horas depois
Famosos e parentes lamentam morte
Por volta das 17h, sob aplausos, parentes e amigos deixaram a capela em que o corpo era velado para seguir para o túmulo. Os filhos Zezé e Wellington Camargo levaram o caixão durante o cortejo, que não foi acompanhado pela viúva de Seu Francisco, Helena Camargo, de 75 anos. O enterro ocorreu às 17h30.
Além da família, famosos como a dupla Di Paulo e Paulino e o cantor Marrone, e autoridades, como o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), também compareceram ao cemitério.
Zezé (de camisa azul marinho) ajuda a levar o corpo do pai durante o enterro
Vitor Santana/G1
Morre Francisco Camargo em Goiânia
Arte/G1
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