‘Y: The last man’ estreia após 14 anos de tentativas frustradas para adaptar HQs: ‘Demorou o tempo que precisava’, diz atriz


Em entrevista ao G1, atores Ben Schnetzer e Ashley Romans e produtora Eliza Clark falam sobre adaptação de HQ na qual doença misteriosa mata todos os seres vivos com cromossomo Y. Atores e criadora de ‘Y: the last man’ falam sobre série baseada em quadrinhos
Foram 14 anos e inúmeras tentativas frustradas para adaptar as HQs de Brian K. Vaughn e Pia Guerra para o cinema ou a TV, mas “Y: The last man” finalmente estreou como série na segunda-feira (13).
Para contar a história sobre um mundo pós-apocalíptico no qual uma doença misteriosa matou todos os seres vivos com cromossomos Y, com duas pequenas exceções, o projeto superou a troca de produtores-executivos e protagonistas depois da realização de um piloto e o adiamento das gravações por causa da pandemia.
“O que precisava acontecer era um alinhamento muito específico de muitas coisas perfeitas para fazer essa tempestade perfeita. Porque essa série parece uma tempestade perfeita”, diz em entrevista ao G1 a atriz Ashley Romans. Assista ao vídeo acima.
Com passagens por séries como “NOS4A2”, a americana aparece no maior papel de sua carreira como a Agente 355, membro de uma misteriosa organização governamental que recebe uma missão incomum da presidente (Diane Lane) dos Estados Unidos.
“Demorou o tempo que precisava demorar. Brian K. Vaughn e Pia Guerra têm sido tão generosos com suas avaliações, mas também com sua liberdade.”
Com os três primeiros episódios da temporada, que terá dez no total, já disponíveis de uma só vez, os próximos serão lançados individualmente na plataforma de vídeos Star+ toda segunda.
Ben Schnetzer em cena de ‘Y: The last man’
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Quem manda no mundo?
Com a premissa distópica e uma sociedade em colapso, cabe às sobreviventes se mostrarem a grande diferença entre “Y” e outras histórias do tipo contadas na TV.
“Acho que o que diferencia essa série em relação a narrativa e enredo é a especificidade do evento que acontece. Ele atinge o planeta e elimina todos os mamíferos com o cromossomo Y, com exceção de dois indivíduos”, conta o ator Ben Schnetzer (“Warcraft”).
Aos 31 anos, ele interpreta Yorick, o único sobrevivente humano com o tal cromossomo responsável pela determinação do sexo masculino (o outro é seu macaco, Ampersand).
“Então há um conjunto bem específico de situações que taca fogo nesse mundo. E é aí que mora um grande número de complexidades e dinâmicas que são exploradas na história da série.”
Ashley Romans em ‘Y: The last man’
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Com a premissa bem parecida à da série de quadrinhos lançada nos Estados Unidos entre 2001 e 2008, uma das principais diferenças está em como o enredo aborda o gênero. Com aparições menores nas HQs, pessoas transexuais ganham mais atenção na trama.
“Todo mundo com o cromossomo Y morre. Isso inclui mulheres, homens, pessoas não-binárias e intersexuais. E o mesmo ocorre com as sobreviventes. Isso era algo importante que eu queria atualizar”, diz a produtora-executiva, roteirista e responsável pelo projeto Eliza Clark.
“Central à minha adaptação estava a ideia de que gênero e cromossomos são duas coisas separadas. E eu queria expandir a diversidade de gênero da série.”
Tentativas frustradas
Com três prêmios Eisner, o principal dos quadrinhos americanos, a HQ era uma das mais bem-sucedidas nos Estados Unidos durante os anos em que foi publicada. Tanto que em 2007 surgiu a primeira tentativa de adaptá-la.
O estúdio New Line Cinema comprou os direitos da história e chegou a anunciar um filme com o diretor D. J. Caruso. Depois de trabalhar com Shia LaBeouf em dois projetos (“Paranóia” e “Controle absoluto”), parecia que o ator assumiria o papel do protagonista.
Depois de discordâncias sobre a realização de uma trilogia, desejo do cineasta, o estúdio sondou outros roteiristas e diretores. Dan Trachtenberg (“Rua Cloverfield, 10”) foi até confirmado, mas em 2014 os direitos voltaram aos criadores por causa da demora.
Ben Schnetzer em ‘Y: The last man’
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O projeto atual também penou para sair do papel. Produzido pelo canal americano FX, foi divulgado em 2015. A ideia era que Michael Green (“American gods”) e Aida Mashaka Croal (“Luke Cage”) dividissem o cargo de showrunners, os responsáveis pela série.
Um piloto foi gravado, mas diferenças criativas fizeram com que a dupla desse lugar a Clark em 2019. Junto deles, saíram membros importantes do elenco, como os primeiros Yorick e Agente 355, Barry Keoghan (“Dunkirk”) e Lashana Lynch (“Capitã Marvel”).
“Eu tive muita sorte de que, quando fui trazida, a FX estava pronta para abrir mão de quaisquer versões anteriores e me deixar meio que começar de novo. Então, eu não senti como se estivesse chegando em algo que já estava meio pronto”, afirma Clark.
Não bastasse a chegada com bola rolando, faltando duas semanas para começar a gravar em Toronto a sua versão da história, a produção teve ser adiada por causa da pandemia.
“Eu estava apavorada que a série não fosse acontecer mais. E eu amo esses quadrinhos há dez anos. Queria que fosse feita”, lembra ela.
“Acho que a Covid tornou tudo mais difícil, mas também sou grata pelo que pude viver com o elenco. Quero dizer, estávamos todos presos no Canadá. Não conhecíamos ninguém. Basicamente só tínhamos uns aos outros. Então ficamos incrivelmente próximos. Foi basicamente o ano mais artisticamente e criativamente satisfatório da minha vida.”
Diane Lane em ‘Y: The last man’
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