Xiaomi contrata consultoria para avaliar seu sistema após acusação de censura da Lituânia


Relatório do país europeu disse que aparelho da marca contém função para esconder determinados termos. Opção estaria desligada, mas poderia ser ‘ativada a qualquer momento’, segundo as autoridades. A fabricante nega. Logo da Xiaomi em uma loja em Xangai, na China.
REUTERS/Aly Song
A fabricante de celulares Xiaomi disse nesta segunda-feira (27) que contratou um especialista independente para avaliar seus sistemas após o governo da Lituânia acusar a empresa de ter uma função de censura em seus smartphones.
Um relatório do Centro Nacional de Cibersegurança da Lituânia publicado na semana passada afirma ter identificado essa opção, que estaria desligada, mas que poderia ser “ativada a qualquer momento”.
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“Contestamos a caracterização de certas conclusões, mas estamos contratando um especialista independente para avaliar os pontos levantados no relatório”, disse um porta-voz da Xiaomi, segundo a agência de notícias Reuters.
A fabricante chinesa não especificou em sua declaração qual a organização independente deve realizar a avaliação. Um porta-voz da empresa disse à Reuters que essa instituição tem sede na Europa.
A empresa disse que usa um software de publicidade para proteger os usuários de conteúdos como pornografia e referências que possam ofender usuários locais, o que, segundo ela, é padrão no setor.
O que diz o relatório da Lituânia
O Centro Nacional de Cibersegurança da Lituânia diz ter examinado uma série de celulares e encontrado um software no modelo Mi 10T 5G, principal aparelho da Xiaomi, que poderia detectar e censurar termos como “Tibete Livre”, “Viva a independência de Taiwan” ou “movimento democrático”.
No documento, também foi dito que mais de 440 termos poderiam ser censurados pelos aplicativos instalados no telefone, incluindo o navegador de internet.
Na Europa, esse recurso de censura de frases ou palavras dos smartphones estaria desligado, mas o relatório afirma que ele pode ser reabilitado remotamente “a qualquer momento”.
O relatório também aponta falhas de segurança em telefones de outra fabricante chinesa, a Huawei.
No mês passado, a China exigiu que a Lituânia retirasse seu embaixador de Pequim e disse que, por sua vez, chamaria de volta o seu enviado diplomático de Vilnius, a capital do país localizado na Europa.
A disputa começou quando Taiwan anunciou que abriria Escritórios de Representação na Lituânia.
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