Volkswagen lança plano para reduzir custos e diz que não vai repor funcionários aposentados


Maior automatização no setor administrativo deve tornar até 7 mil vagas dispensáveis. Em vez de demitir o excedente, montadora deixará de repor funcionários que se aposentarem. Volkswagen aumenta metas para a produção de carros elétricos e quer cortar custos
REUTERS/Kim Kyung-Hoon
A Volkswagen anunciou nesta quarta-feira (13) um plano para reduzir custos e aumentar ganhos. Entre as medidas, vai parar de repor funcionários que se aposentarem até 2023.
Isso será uma contrapartida para lidar com um excedente de até 7 mil pessoas cujos cargos se tornarão dispensáveis com a maior automatização do setor administrativo prevista para o mesmo período, sobretudo na sede, em Wolfsburg, na Alemanha.
Pelos cálculos da montadora, 11 mil funcionários terão condições de se aposentar até 2023.
A Volkswagen anunciou ainda diz que dará a todos os funcionários garantia de emprego até 2025. E que criará 2 mil vagas de desenvolvimento técnico, como a criação de softwares.
Por resultados melhores
O plano foi anunciado no mesmo dia em que a marca divulgou os resultados do último ano fiscal e uma margem operacional abaixo do esperado.
Na véspera, o Grupo Volkswagen, que inclui outras marcas, adiantou que haveria redução de empregos a fim de acelerar o lançamento de carros elétricos e aumentar o lucro. E que o foco dos cortes de custos seria a Volkswagen e a Audi.
Para a “transformação” da marca Volkswagen, que vai liderar a ofensiva de carros elétricos no grupo, serão investidos 19 bilhões de euros entre este ano e 2023, em vez dos 11 bilhões de euros previstos originalmente para o período.
A meta de produção de elétricos foi aumentada em 50%, para 22 milhões até 2029.
Em contrapartida, a montadora pretende aumentar os ganhos em 5,9 bilhões de euros ao ano, até 2023. Para isso, precisa cortar custos e aumentar a produtividade nas fábricas em 5% ao ano.
A Volkswagen vendeu no ano passado de 3,71 milhões de veículos (4% a mais que em 2017) e faturou 84,58 bilhões de euros (6,8% a mais).
GM e Ford também cortam
A General Motors (GM) e a Ford também têm implantado medidas para cortar custos e aumentar ganhos.
A primeira anunciou um plano para fechar fábricas e demitir trabalhadores na América do Norte, e também negocia redução de salários, entre outras ações, no Brasil, onde é líder de vendas.
A Ford anunciou, no último dia 19, o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), a mais antiga da montadora no Brasil. Com ela, encerrará a produção de caminhões na América do Sul, o que a empresa justificou como “um importante marco no retorno à lucratividade sustentável de suas operações” na região.
A montadora também está fazendo cortes na Europa, nos Estados Unidos e na China.
Recentemente, Ford e Volkswagen anunciaram uma aliança para produção de veículos.