Viver até 70 anos reflete avanços na compreensão da síndrome de Down 

Expectativa de vida da pessoa com síndrome de Down é de 60 a 70 anos

Expectativa de vida da pessoa com síndrome de Down é de 60 a 70 anos
Pixabay

A expectativa de vida entre 60 e 70 anos anos para pessoas com síndrome de Down reflete os avanços em relação à compreensão dessa condição genética, comum a 350 mil brasileiros.

Segundo o pediatra e geneticista Zan Mustacchi, um dos maiores especialistas em síndrome de Down reconhecidos internacionalmente, a longevidade é resultado de conhecimentos nutricionais, de saúde e de educação, que levaram a uma melhor qualidade de vida.

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“A oportunidade de relacionamentos sociais, de suporte familiar, saúde e nutrição adequados são a chave para o desenvolvimento da pessoa com síndrome de Down”, afirma Mustacchi, que é diretor-clínico do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo (Cepec-SP).

A secretária de Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, Célia Leão, afirma que a expectavida de vida aumentou principalmente nos últimos 30 anos. “O maior desafio hoje é a sociedade acreditar que eles têm o direito de ir para o mundo, ou seja, trabalhar, se relacionar, ter uma vida social como todos”, afirma.

A síndrome de Down não é uma doença. É uma condição genética provocada por um erro na divisão celular durante a divisão do embrião. Em vez de 2 cromossomos no par 21, há 3. Assim, elegeu-se o dia 21 de março (21/3) como o Dia Internacional da Síndrome de Down. O objetivo é combater o preconceito e conscientizar sobre os direitos igualitários.

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A ONG Movimento Down ressalta que, apesar de indivíduos com síndrome de Down terem semelhanças entre si, como olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual, eles não são todos iguais. “Todas as pessoas, inclusive as pessoas com síndrome de Down, têm características únicas, tanto genéticas, herdadas de seus familiares, quanto culturais, sociais e educacionais”, destacam.

Alimentos melhoram desenvolvimento neuronal

O pediatra explica que hoje se tem conhecimento de condições metabólicas associadas à síndrome que interefere no aumento da expectaviva de vida. “Sabemos que precisam de alimentos ricos em antioxidantes, pois dispõem de um processo metabólico de oxidação aumentada”, explica. “São alimentos que melhoram o desenvolvimento neuronal, favorecendo a concentração, a visão e o aprendizado”.

Segundo ele, entre esses alimentos estão grão de bico, castanha-do-pará, sardinha, atum e ovo. “O ovo é um alimento de baixo custo com grandes repercussões neurológicas”, afirma.

Outro fator que ajudou no processo de longevidade foi o investimento em conduta cirúrgia de correção cardíaca, de acordo com o pediatra. “Cerca de 50% das pessoas com síndrome de Down têm cardiopatia, sendo metade com indicação cirúrgica. Antigamente não operavam. Hoje isso é feito”, diz.

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Também considerado um alicerce da vida longa é a atenção à imunização, sobretudo vacinas. Mustacchi explica que as pessoas com síndrome de Down são mais vulneráveis a doenças. “O aleitamento materno é especialmente importante, pois fornece ao bebê suporte no sistema imunológico e nutricional para as vias neuronais”.

Notificação obrigatória ajudará políticas públicas

A notificação do nascimento de criança com síndrome de Down se tornou compulsória desde dezembro do ano passado. Segundo a secretária, a existência de uma estatística é importante para o desenvolvimento de políticas públicas, além de pesquisas, que favorecem essa população. “Contribui também para o cuidado à saúde e à vida da criança que acaba de nascer”, afirma.

Segundo o geneticista, a síndrome de Down está aumentando no país. A incidência é de 1 para 750 nascidos vivos. Não se sabe a causa que leva ao erro na divisão embrionária. Mustacchi afirma que pode estar relacionado a óvulos muito velhos ou muito novos – de mulheres acima de 35 anos ou abaixo de 18, pois ainda estão imaturos.

Não há como prevenir a condição genética. Existem apenas exames que conseguem detectar a trissomia, segundo o médico.