Violonista Cainã Cavalcante enaltece o tempo modernista de Garoto em álbum feito entre a reverência e a liberdade


♪ O toque eternamente modernista da obra de Aníbal Augusto Sardinha (28 de junho 1915 – 3 de maio 1955) – o violonista e compositor paulistano imortalizado como Garoto no universo musical brasileiro – tem fascinado grandes instrumentistas, sobretudo os que se dedicam a desvendar a magia do violão.
Mal lançou Paracosmo, álbum assinado com o pianista Ricardo Barcelar e lançado em 28 de maio, o violonista e compositor cearense Cainã Cavalcante se junta a esse time de músicos seduzidos pelo repertório de Garoto, virtuose que desbravou territórios para o violão brasileiro.
Nascido em 1990, em Fortaleza (CE), o artista lança em 25 de junho o álbum Sinal dos tempos – Cainã toca Garoto, gravado no estúdio carioca Visom Digital nos dias 1, 2 e 3 de março deste ano de 2021.
Disco instrumental assinado por Cainã Cavalcante com os músicos Guto Wirtti (no contrabaixo acústico) e Paulo Braga (na bateria), Sinal dos tempos aborda dez temas do repertório autoral de Garoto, sem evitar os dois standards da obra do compositor.
Estão lá Duas contas (1951) – samba-canção de arquitetura sofisticada, composto sem rimas na letra naturalmente ignorada por Cainã – e a canção Gente humilde, composição de 1945 que obteve projeção nacional a partir de 1969, ano em que ganhou letra escrita por Vinicius de Moraes (1913 – 1980) com colaboração de Chico Buarque, sendo a partir de então gravada por cantores populares como Angela Maria (1929 – 2018) e o próprio Chico. No álbum Sinal dos tempos, Gente humilde é a única música tocada apenas por Cainã em registro solo.
Capa do álbum ‘Sinal dos tempos – Cainã toca Garoto’, de Cainã Cavalcante
Divulgação
Procurando propor outros caminhos harmônicos para o cancioneiro de Garoto, mas com o “máximo respeito pela matriz”, como ressalta o violonista no texto em que apresenta o disco, Cainã, Braga e Wirtti tocam músicas como a valsa-choro Desvairada (1950), Esperanza (tema que batizou álbum lançado em 2012 com inéditas gravações feitas por Garoto entre 1949 e 1951), o choro Gracioso (1957), o samba Lamentos do morro (1950), Voltarei (canção de 1950 que apareceu oficialmente em disco em 1980) e Jorge do fusa.
Choro originalmente instrumental, Jorge do fusa também apareceu oficialmente com esse nome em disco de 1980, mas foi composto em 1950, tendo ganhado letra do compositor Mário Albanese e sido gravada de forma caseira por Albanese e Garoto, ainda naquele ano de 1950, com o título de Amor indiferença.
Já o choro que batiza o disco de Cainã, Sinal dos tempos, ganhou o primeiro registro fonográfico oficial em 1980 em álbum do violonista Geraldo Ribeiro.
Entre a reverência à obra de Garoto e a liberdade condizente com a obra desse violonista pioneiro ao absorver a influência do jazz, Cainã Cavalcante procura imprimir à própria assinatura em temas como Nosso choro (1950), símbolo do arrojo do cancioneiro de Aníbal Augusto Sardinha que ecoa no álbum Sinal dos tempos.
O violonista Cainã Cavalcante toca dez temas autorais de Garoto em álbum programado para 25 de junho
Tainá Cavalcante / Divulgação