Venezuela terá fornecimento de energia interrompido por até 21 horas por semana


Dos 23 estados do país, 20 entrarão em esquema de racionamento durante 30 dias, anunciou regime de Nicolás Maduro. Mulher segura lanterna na porta de prédio residencial durante apagão em Caracas, Venezuela
Cristian Hernandez/AFP
O fornecimento de energia elétrica na Venezuela será interrompido por até 21 horas por semana nos próximos 30 dias, de acordo com um cronograma de racionamento divulgado pelo regime de Nicolás Maduro nesta sexta-feira (5). Dos 23 estados do país, 20 entrarão no esquema de racionamento.
O ministério de Energia Elétrica e a estatal Corporación Eléctrica (Corpoelec) projetaram um “plano de administração de carga”, que divide os estados em cinco setores, com horários diferentes de racionamento. O documento prevê cortes de até três horas por dia em cada setor e garante que em um dia da semana cada região contará com o fornecimento de energia por 24 horas.
A medida de racionamento exclui o estado de Vargas, próximo a Caracas e onde fica o principal aeroporto da Venezuela; Amazonas e Delta Amacuro, regiões de fronteira e afastadas da capital.
Maduro anunciou no domingo passado a implementação do racionamento que durará 30 dias, mas só nesta sexta-feira foram conhecidos os detalhes do cronograma.
Os cortes programados de luz são a resposta do Governo à crise de energia elétrica atravessada pelo país desde o dia 7 de março quando iniciou uma sequência de blecautes que paralisou a Venezuela durante pelo menos 11 dias.
Protestos
No último fim de semana, várias zonas de Caracas protestaram contra os consecutivos apagões. Os manifestantes foram convocados pelo autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, que pediu aos opositores de Maduro que saíssem às ruas todas as vezes que houvesse falhas elétricas e de água.
‘Queremos água e eletricidade’, diz cartaz de venezuelana que protesta em Caracas contra apagão na Venezuela
Federico Parra/AFP
O regime de Maduro insiste na versão de que os blecautes ocorre em decorrência de uma sabotagem. Depois de um novo apagão que começou na noite de sábado, o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, acusou novamente “obstrução criminosa”.
A oposição, entretanto, fala que a crise energética é fruto da corrupção e falta de investimento em infraestrutura do governo.