‘Velozes e furiosos 9’ continua busca exagerada da franquia pelo absurdo; G1 já viu


Vin Diesel, Michelle Rodriguez e sua gangue de motoristas transformados em super-espiões retornam em nova trama sem sentido mas cheia de ação. Filme estreia nesta quinta-feira (24). “Velozes e furiosos 9” estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas brasileiros e é, como se podia esperar, o filme mais exagerado e absurdo de uma franquia famosa por sua busca incessante por cenas cada vez mais exageradas e absurdas.
Infelizmente para Vin Diesel, Michelle Rodriguez e sua gangue de motoristas transformados em super-espiões mercenários, uma velha máxima se faz presente. Quando tudo é absurdo, nada é absurdo.
Mesmo com uma história sem pé nem cabeça que serve apenas de desculpa para conectar cenas de ação grandiosas e explosivas, é exatamente o exagero que deve garantir o retorno e a satisfação dos fãs da série.
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A volta dos que não foram
Em “Velozes e furiosos 9”, Dom (Diesel) e seus amigos se reúnem mais uma vez para impedir que uma arma extremamente poderosa caia na mão de vilões que ameaçam o mundo inteiro.
O grande problema da vez é que eles são liderados por Jakob Toretto (John Cena), irmão mais novo do protagonista que curiosamente tinha sido esquecido nos oito capítulos anteriores da série – por mais que o herói repita à exaustão a importância da família.
O filme também dá um jeito de meter o retorno de um dos favoritos dos fãs, Han (Sung Kang), que todos pensavam ter morrido em um atentado há muito tempo, e encontra tempo até para retratar pela primeira vez o acidente que tirou a vida do pai dos Toretto.
Vin Diesel e Sung Kang se encaram estoicamente em cena de ‘Velozes e furiosos 9’
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Corrida previsível
Com tudo isso, parece até que as quase duas horas e meia de duração se justificam, mas não é bem o caso.
A trama cheia de clichês e surpresas das mais previsíveis fica esmagada entre longas cenas de ação que com pouca explicação além da ideia de que “vai parecer legal no cinema”.
Até mesmo a ida a um destino sonhado há anos por fãs da série no fim é pouco inspirada, e não sobrevive a dez segundos de escrutínio.
Nem o lado mais família, que geralmente segurava bem o aspecto dramático das narrativas cada vez mais megalomaníacas, se salva.
Infelizmente, por mais que o antigo astro da luta livre americana John Cena já tenha mostrado carisma em filmes de comédia como “Descompensada” (2015) e “Não vai dar” (2018), ainda lhe falta a experiência de um Dwayne Johnson – que fez caminho parecido na carreira – para sustentar momentos mais complexos.
E os flashbacks tão tardios dentro da série para um episódio tão importante para a formação de Dom quanto a morte de seu pai, com atores que não se esforçam muito para parecerem suas contrapartes mais velhas, não ajudam.
Vin Diesel, Thue Ersted Rasmussen e John Cena em cena de ‘Velozes e furiosos 9’
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Adeus ao quarto de milha
Mais uma vez, é importante destacar que nada disso deve impedir o entretenimento de quem está comprometido desde 2001 com a franquia.
Principalmente depois do quinto episódio, de 2011, a ideia claramente foi esquecer das corridas de rua e elevar o time de astros a um status semi-super-poderoso. Tanto que desde então a série conseguiu suas maiores bilheterias.
Quem quer mais é ver Dom de camisetinha branca enfrentando um exército no meio de uma selva latino-americana, ou até que a trupe vá ao espaço e conquiste novos planetas, não tem do que reclamar do nono capítulo.
Mas aqueles que se lembram com uma certa saudade de conhecer o campeão do um quarto de milha, e da época em que a maior ameaça à turma eram caminhoneiros armados, podem se sentir – com razão – cada vez mais esquecidos.
Ludracis e Tyrese Gibson em cena de ‘Velozes e furiosos 9’
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